A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 11/07/2018
A obra intitulada “A morte de Ivan Ilitch”, de Liev Tolstói, discorre a respeito da falta do senso de coletividade e crítica ao individualismo. Apesar de toda a subjetividade, a trama serve como um gancho para abordar sobre práticas xenofóbicas a partir do momento em que é corroborada a dicotomia existente entre cordialidade e igualdade. Dessa forma, analisar os impactos da problemática no âmbito social: eis um desafio à contemporaneidade.
É necessário considerar, antes de tudo, o legado histórico da temática. A ascensão da xenofobia teve estopim marcante durante a Guerra Fria, principalmente após os atentados ao Pentágono e as Torres Gêmeas, causados pela Al-Qaeda. Logo, tal contexto de intolerância ainda persiste na sociedade, onde imigrantes são os mais afetados. Sendo assim, a complacência social aliada a uma ótica dominante tornou comum a disseminação de ideias com o intuito de criar estereótipos, por exemplo, “todo muçulmano é terrorista”. Nesse sentido, é notório que a xenofobia decorre não do medo, mas da falta de informação e do preconceito com as diferenças.
Convém analisar, também, que o estigma brasileiro de afabilidade oculta uma postura intolerante. No que tange à questão jurídica, apesar da xenofobia ser considerada um crime no Brasil, a impunidade da maioria dos casos levou a um aumento considerável desse tipo de crime. Tal fato é corroborado, ao citar o aumento dos casos de xenofobia no Brasil que, conforme pesquisas realizadas pela Carta Capital, houve um acréscimo de mais de 288 casos. Assim, as manifestações de ódio e discriminações caminham em sentido retrógrado à imagem do Brasil “acolhedor e amigo”. Não obstante, a prática da xenofobia carrega uma bagagem de intolerância cultural, étnica e social que lesa a oportunidade de gerar respeito mútuo.
Portanto, fazem-se necessárias medidas para tornar viável uma sociedade civil que cumpra e garanta os direitos individuais. Desse modo, o Ministério da Justiça junto às ONGs, deve fiscalizar as leis já existentes, seja por meio da aplicação de multas para quem infringir o legislativo ou trabalhos voluntários com agentes socializadores, na tentativa de cumprir com seu papel social e garantir a isonomia. Também, é de suma importância que a mídia, como grande formadora de opiniões, utilize a ficção engajada e jornais, como um canal de vanguarda da minoria, a fim de difundir uma cultura de criticidade, quebra de estereótipos e a necessidade de se manter o respeito e igualdade, e para alcançar tal expectativa o uso de dados, matérias jornalísticas, documentários ou entrevistas com indivíduos que já foram vítimas da causa, é essencial. Só assim, com a mobilização de um todo, haverá mudanças.