A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 19/07/2018
Numa tentativa de fugir de seu país de origem devido a inúmeros fatores, sendo o principal deles a guerra, os imigrantes que chegam ao Brasil atual se deparam com outro conflito a enfrentar; o preconceito. Crescendo num nível alarmante, a xenofobia na ex colônia portuguesa alcança patamares absurdos, em que os estrangeiros são agredidos, violentados e expostos a situações de constrangimento, tanto nas redes sociais quanto fora delas.
É totalmente contraditório que um país como o Brasil exerça tal discriminação com imigrantes. Apesar de ser fruto da miscigenação dos povos, o brasileiro que pratica o crime da xenofobia ainda acredita que o estrangeiro é uma ameaça, e o trata como terrorista, que vem para trazer a guerra, matar crianças e propagar o caos. Embora a definição da palavra que dá origem ao crime seja “desconfiança, temor e antipatia para com o indivíduo estranho ao meio”, o que se pode observar no Brasil vai além disso. Numa uma atmosfera de ódio, frases como “saia do meu país!” são comumente utilizadas para verbalizar o preconceito no cenário atual.
Apesar de ser uma grande questão a ser levantada, o problema está longe de ser resolvido. Entre 2014 e 2015 os casos de xenofobia registrados pela SEDH cresceram em 633%, entretanto, quase nenhuma das denúncias foi devidamente penalizada, o que mostra o total desinteresse da justiça para com os casos de xenofobia. Além disso, o esteriótipo do “homem-bomba”, propagado nas redes sociais, filmes e séries, não contribui em nada para a maior aceitação do imigrante, que acaba encontrando no isolamento uma forma de se proteger do preconceito.
É possível concluir, portanto, que a solução para a extinção -ou pelo menos diminuição- da xenofobia deve vir de ações do Ministério da Justiça, que deve penalizar corretamente os agressores, identificando-os através de investigações a fundo das denúncias realizadas e aplicação das devidas punições previstas no Código Penal, juntamente com a atuação da mídia, que deve desconstruir os estigmas preconceituosos. Dessa forma, serão dados os primeiros passos para a erradicação da intolerância.