A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 20/07/2018

“Uns olhos tão lúcidos, uma boca tão fresca, uma compostura tão senhoril; e coxa! Esse contraste faria suspeitar que a natureza é, às vezes, um profundo escárnio.” O excerto do romance “Memórias Póstumas de Brás Cubas” evidencia um narrador profundamente depreciado da condição física de Eugênia. Fora dos parâmetros ficcionais, os vestígios de uma cultura homogênea são revigorados, o que resulta na xenofobia tão alarmante. Nessa perspectiva, é crucial alterar esse paradigma intolerante, a fim de conquistar uma maior visibilidade dos imigrantes no Brasil.

Em primeiro lugar, é indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estão entre as causas da problemática. De acordo com a Teoria Aristotélica, a política deve ser utilizada para que, por meio da Justiça, seja possível alcançar o equilíbrio na sociedade. Assim, percebe-se que a xenofobia rompe a coesão social, haja visto que, embora a Constituição - através do Princípio de Isonomia - garanta equidade entre os seres humanos, muitos cidadãos se utilizam de fatores sociais e étnicos para externar preconceitos e segregar os indivíduos que pensam, agem ou moram em lugares diferentes. Dessa forma, entende-se que os investimentos públicos ainda não foram suficientes para superar essa adversidade.

Além disso, ao avaliar a xenofobia sob uma óptica histórica, notam-se que os fenômenos decorrentes da formação nacional ainda se perpetuam na atualidade. Parafraseando o cientista Einstein, é mais fácil alterar uma estrutura atômica do que um preconceito enraizado. Dessa maneira, fica claro que as inúmeras repugnâncias criadas em cima dos imigrantes possuem raízes no passado, uma vez que, desde a Antiga Grécia, as pessoas que não possuíam origens naquele ambiente eram segregados - e até mesmo escravizados. Assim, criou-se uma visão deturpada e errônea que, lamentavelmente, sustentam os preconceitos e intolerâncias sobre os estrangeiros.

Portanto, fica evidente que a xenofobia é uma chaga social que demanda de imediata solução. Para que isso seja possível, é necessário que o Estado, por seu caráter socializante e agregador, aja na fiscalização mais efetiva da lei que tipifica a ação descrita como crime, através da criação de aplicativos, pelo Ministério das Comunicações, que facilitem as denúncias. Além disso, o Ministério da Justiça deve penalizar os indivíduos agressores, por meio de multas e trabalhos de cunho social, para que seja possível romper esse estigma tão impactante na vida dos imigrantes no Brasil. Assim, espera-se que a xenofobia seja mais uma maleza social superada.