A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 24/07/2018

O livro “Casa Grande e Senzala”, escrito pelo sociólogo Gilberto Freyre, apresenta a visão de um Brasil envolto em uma “democracia racial” devido à origem étnica do povo brasileiro, marcada pela miscigenação entre ameríndios, afrodescendentes e europeus. Com isso, a difusão do pensamento abordado na obra corroborou para a crença de que o Brasil é composto somente por indivíduos repletos de empatia e respeito para com o próximo. Porém, quando analisamos a atual situação do país nos deparamos com o completo oposto: um cenário marcado pelo preconceito e intolerância.

Dentro desse âmbito problemático, a questão da xenofobia contra migrantes que adentram o território nacional ganha destaque, já que segundo dados da Secretaria Especial de Direitos Humanos, o número de denúncias de casos xenófobos aumentou cerca de 633% no ano de 2015, sendo que a principal justificativa por parte daqueles que cometem tais crimes de ódio baseia-se no medo ilusório de que estrangeiros “roubem” lugares no mercado de trabalho antes pertencentes aos nativos. Tal argumento é facilmente refutado através de análises estatísticas que revelam que grande parte dos imigrantes não possuem forte qualificação profissional.

Sendo assim, refugiados do Oriente, como os sírios, e migrantes de países vizinhos, como os venezuelanos, que optam por deixar seus países de origem por questões de sobrevivência chegam no território brasileiro e se deparam não apenas com hostilidade e indiferença por parte de alguns, mas também com um sistema jurídico falho no que diz respeito à fiscalização e punição de crimes xenófobos.

Dessa maneira, é inegável o fato de que o Brasil, caracterizado por uma forte herança de conservadorismo e desigualdade desde o seu surgimento, não é assim tão belo como o Brasil idealizado, harmônico e pacífico de Freyre, passando longe de possuir uma igualdade em termos étnicos e carecendo de indivíduos que enxergam o outro de maneira íntegra, independente de raça, nacionalidade, gênero, religião, sexualidade etc.

Diante desse impasse, medidas são necessárias. O Ministério das Comunicações, em conjunto com o Ministério da Cultura, deve realizar parcerias com profissionais da educação e organizações que tenham como objetivo fomentar o respeito, igualdade e diversidade sociocultural visando, por meio de propagandas e campanhas educativas, desconstruir o posicionamento ufanista por parte daqueles que são aversos aos povos de outras nacionalidades. Ademais, é necessária a implantação de políticas públicas eficientes que investiguem os crimes de xenofobia presentes em larga escala no país e punam os responsáveis, para que a impunidade não dê espaço para o crescimento de mais adversidades.