A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 23/07/2018

Desde o Iluminismo, entende-se a necessidade de defender o uso da razão para compreender e solucionar os problemas da sociedade. Entretanto, quando se analisa a questão da xenofobia na contemporaneidade, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada a realidade do país. Nesse sentido, transfigura-se necessário mudanças na mentalidade da população e nas leis vigentes do Brasil.       Convém ressaltar, a princípio, o preconceito por parte da sociedade. Isto é, o grande número de pessoas de raças, crenças e culturas diferentes que vivem no Brasil sofrem discriminação diariamente, uma vez que, a segregação é provocada através de insultos e agressões por pessoas, que consoante ao pensamento de Zygmunt Bauman e sua teoria da modernidade líquida, são consideradas egocêntricas e individualistas. Tal fato é comprovado a partir das dificuldades encontradas na procura de empregos, sendo que, a maioria dos empregadores ofertam trabalhos pesados, alta carga horária e baixos salários, o que inclusive são considerados análogos ao de escravos.

Ademais, é importante destacar os impactos causados pela ineficiência das leis brasileiras. Isso ocorre, pois não há uma fiscalização adequada, os órgãos com este propósito dependem das denúncias realizadas, e nesse sentido a população se torna passiva e são poucos que efetivam tal ação, as leis vigentes são brandas, atrasadas e não colocadas em prática, dessa maneira, poucos são punidos e com isso aumenta-se o descontrole contra a xenofobia. Por esse ângulo, de acordo com o periódico, Carta Capital, na Justiça, quase não há registros de punições decorrentes da aversão discutida.

Diante dos fatos supracitados, cabe aos meios midiáticos, divulgar informações acerca do problema, a partir de campanhas publicitárias, como as histórias de estrangeiros que sofreram intolerância e violência no país, outrossim, de acordo com Immanuel Kant, “o ser humano é aquilo que educação faz dele”, por conseguinte, as escolas devem garantir, por meio de palestras, o devido incentivo ao amplo diálogo no seio familiar, ambos com a finalidade de comover e conscientizar a população da necessidade de aceitação do novo e diferente. Também, é dever do Supremo Tribunal Federal, regulamentar e agravar as punições, por meio de medidas favoráveis a longas penas sem direito a fianças, objetivando diminuir o grande número de impunidades e resolver o problema. Dessa forma, diante das medidas apresentadas será possível alcançar o ideal Iluminista proposto na Idade Média.