A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 27/07/2018

Na Roma Antiga, todos os povos estrangeiros eram vistos como inferiores, sendo bastante hostilizados e denominados ‘bárbaros’. Na hodiernidade, apesar de toda a evolução da civilização, ainda é possível ver ideias semelhantes, no que se conhece, hoje, como xenofobia. Esse problema, caracterizado como uma aversão ao estrangeiro, torna-se cada dia mais comum no Brasil e mostra-se contraditório, tendo em vista a histórica formação miscigenada do país. Nesse sentido, faz-se necessário analisar as polêmicas acerca do assunto e buscar medidas para resolver o impasse.

Em primeiro lugar, cabe analisar o argumento de quem é contrário à entrada de estrangeiros em seus países. Pautados no medo, principalmente após os atentados terrorista nos EUA e em Paris, muitos atrelam a condição de fundamentalista religiosa à nacionalidade e consideram que determinados povos não são ‘bem-vindos’. Ademais, usa-se também o argumento de que os imigrantes ’tomarão’ os empregos dos nativos e destruirão suas respectivas identidades nacionais.

No entanto, apesar de serem pensamentos compreensíveis, não há justificativa para o desrespeito e a exclusão xenófoba. Nesse contexto, todos as alegações citadas comungam com a ideia foucaultiana de que o homem sempre rejeita o diferente e não geram nada além de consequências negativas como violência e intolerância. Prova disso foi o caso do sírio Mohamed Ali, que foi hostilizado e verbalmente agredido enquanto trabalhava em Copacabana, no Rio de Janeiro.

Outrossim, os que defendem que imigrantes atrapalham suas vidas são, em geral, pessoas desinformadas, que confiam em esteriótipos e generalizam, de forma imprudente, os povos. Ademais, é provado historicamente que nacionalismos exacerbados não trazem bem algum à humanidade. Exemplo disso foi o Holocausto, evento trágico que ocorreu na Alemanha de Hitler, e foi pautado num sentimento de superioridade étnico-racial que a raça ariana, supostamente, possuía.

Torna-se evidente, portanto, que a xenofobia é problemática e não cabe em uma sociedade que respeita o Estado Democrático de Direito, por isso, medidas são necessárias para mitigar a questão. A princípio, é dever do governo, por meio de MEC, distribuir nas escolas cartilhas e kits educativos que tratem sobre a importância do respeito as diferenças, além de promover debates e palestras com sociólogos e pedagogos que envolvam os pais das crianças e expliquem a todos sobre os malefícios da xenofobia, desconstruindo os argumentos falhos. Isso, com o fito de instruir todas as faixas etárias e torná-las mais respeitadoras e compreensivas com os estrangeiros. Ademais, a mídia deve desenvolver campanhas que provem que os imigrantes só tem a agregar ao país, expondo os dados e as razões para tal. Tudo isso, para que o legado lamentável do Império Romano seja extinguido do Brasil.