A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 07/08/2018
A xenofobia não é uma invenção atual. Na Grécia Antiga, por exemplo, o preconceito contra os estrangeiros era muito frequente. Isso porque, na época, os imigrantes não eram considerados cidadãos e, logo, não possuíam direitos como os outros indivíduos. Contudo, engana-se aquele que acredita que a xenofobia não é mais uma realidade do mundo contemporâneo: segregados e vítimas de discursos de ódio, vários imigrantes sofrem com o preconceito. Assim, em contraposição a Declaração Universal dos Direitos Humanos, percebe-se que nem todos têm o direito de uma vida digna contemplado.
O livro “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, retrata a vida de uma emigrante nordestina que, ao se mudar para o Rio de Janeiro, possui uma condição completamente miserável e excluída da sociedade. Como característica das obras claricianas, o momento de epifania se dá quando Macabea, personagem principal, morre, pois é justamente nessa condição que a sociedade passa a olhar para ela. De maneira análoga, esse livro poderia ser considerado uma biografia de tantos outros migrantes que, ao saírem de suas terras em busca de uma condição de vida melhor, acabam sendo tratados de maneira hostil e desumana, sendo privados de direitos civis fundamentais.
Em consequência de uma sociedade em redes, os fluxos migratórios se acentuaram nas últimas décadas. De modo geral, as principais causas que levam as pessoas a migrarem aludem a busca por melhores condições de vida e, mais recentemente, a fuga de guerras e perseguições político-ideológicas. Entretanto, muitos lugares não apresentam preparo na infraestrutura para receber um grande número de pessoas, causando problemas estruturais, como a falta de empregos, vagas em escolas e atendimento médico-hospitalar, o que acarreta em um grande movimento anti-imigração. Assim, em alguns casos, agressões físicas e posturas nazistas revelam a pior faceta humana quando em vista a falta de empatia em relação à condição do outro.
Logo, torna-se evidente a necessidade de se tomar medidas que coíbam que a xenofobia seja perpetuada, principalmente em âmbito nacional. Em primeiro lugar, é papel do Governo Federal criar políticas públicas contínuas que visem oferecer uma vida digna aqueles que imigram, de forma a ajudá-los em moradia, em educação e em acesso ao sistema de saúde local. Além disso, é fundamental que as escolas, em conjunto a todo o núcleo escolar, trabalhe com as crianças, com os adolescentes e com seus responsáveis, sobre o auxílio de psicopedagogos e psicólogos, noções de empatia, solidariedade e respeito ao diferente, a fim de convidá-los a serem motor dessa mudança. Só assim, gradativamente, esse problema poderá ser superado.