A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 14/08/2018

Na obra " Entre quatro paredes “, do filósofo Jean-Paul, o protagonista Garcin declara a sentença " o inferno é os outros “. Desse modo, afirma sua insatisfação em conviver socialmente, vista a pluralidade notória de idiossincrasias humanas respalda na falta de empatia. Logo, pode-se dizer que o contexto retratado se reflete na xenofobia evidenciada, no Brasil. Resultado da consonância de uma sociedade com uma lenta mentalidade social, além de um Governo que não garante os direitos previstos por Lei.

Dessa maneira, é importante salientar que a questão judiciária e sua aplicação estejam entre as causas do problema. De acordo com Aristóteles, no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir o equilíbrio entre os cidadãos, logo, se verifica que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil, tal fato se reflete no aumento de casos de violência contra imigrantes. Segundo a Secretaria de Direitos Humanos ocorreu um crescimento de 663% no disque 100, Esse dado mostra, que mesmo que exista uma Lei que os proteja, na pratica esses estão a mercê da crueldade. Como é o caso dos venezuelanos em Roraima, nos quais as populações locais estão colocando fogo nos abrigos.

Ademais, outro ponto relevante, nessa temática são as crenças pessoais. De acordo com Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de agir e de pensar. Sob essa conjuntura, podemos analisar que as raízes implantadas na sociedade dificultam na erradicação da xenofobia. No Brasil, com a procissão jesuítica, e na Europa com as Cruzadas, o cristianismo se fundiu como principal religião. Desde modo, quando muçulmanos chegam ao Brasil, esses são assimilados ao terrorismo. Perante disso, percebe-se que o pensamento enraizado brasileiro, em que o refugiado rouba seu emprego, além de enxerga-los como uma ameaça a nacionalização, dificulta no combate ao preconceito contra os estrangeiros

Conforme ressaltado alhures é de suma importância que primordialmente, o Governo Federal invista em delegacias especializadas na proteção dos refugiados, com atendimento especializado, além de reforçar a impunidade, assim as vítimas sentirão mais confortáveis em denunciar. Paralelamente, ONGs devem corroborar esse processo a partir da atuação em comunidades com o fito de distribuir cartilhas que informa a importância ao respeito do refugiado. Além disso, cabe a o Ministério da Educação a implementação de um programa escolar nacional que vise conscientizar a população dos dramas vividos pelos estrangeiros, o que deve ocorrer mediante o fornecimento de palestras e peças teatrais. Dessa forma, com base no equilíbrio proposto por Aristóteles esse fato social será gradativamente minimizado no país.