A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 16/08/2018

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride no momento em que um se mobiliza com o problema do outro, entretanto, quando se observa a questão da xenofobia no Brasil, verifica-se que esse ideal é constatado na teoria e não desejavelmente na prática. Dessa maneira, é imprescindível a análise e o aprofundamento desse panorama, a fim de buscar melhores perspectivas para o bem comum da população  brasileira.

Sob esse viés, apensar da xenofobia ser um crime tipificado, de número 9456, desde 1997, essa descriminação tem sido um problema preocupante, especialmente em um momento em que muitos refugiados da Síria, Venezuela, Haiti e de países africanos, tem atravessado a fronteira em busca de melhores condições de vida, liberdade política e de resguardo das guerras. Segundo o portal de notícias Carta Capital, entre 2014 e 2015, houve um crescimento de 633% dos casos de xenofonia. Nesse sentido, convém afirmar que essa realidade é resultado do receio da religião e do modo de viver diferente dos emigrantes e, como resultado, muitos indivíduos agem com aversão e ódio, mesmo em uma situação cuja há necessidade de amparo e acolhimento dos refugiados pela sociedade.

Somando a isso, a xenofobia no Brasil se deve também a inépcia do Estado, o qual, segundo Thomas Hobbes, tem a responsabilidade de exercer poder para coibir os males da sociedade. Diante dos dados de 2014 e 2015 do crescimento exorbitante desse tipo de preconceito,  a ação do Governo deveria ser rápida, eficaz e contundente. Porém, essa não foi a realidade e, consequentemente, atualmente muitos refugiados acabam sofrendo dificuldade para se inserirem na sociedade e no mercado de trabalho. Assim, com a inércia desse empecilho, além da falta de compadecimento, a tendência é o aumento vertiginoso de discursos de ódio, casos vexatórios e até violências físicas contra os migrantes.

Já dizia Aristóteles, portanto, que a educação é fundamental para o progresso de uma sociedade. Logo, é imperativo o Ministério da Educação outorgar a obrigatoriedade do ensino sobre os preconceitos, com a finalidade dos professores de Sociologia e História tratarem desse assunto de modo a conscientizar, através de aulas e dinâmicas de turma, os jovens e adolescentes sobre os casos de discriminação, dentre eles, os de xenofobia. Ademais, cabe ao Poder Executivo, juntos às ONGs, desenvolverem propagandas, vídeos e imagens sobre os refugiados e contra a xenofobia, de modo a ensinar sobre a cultura, o respeito e a necessidade de acolhimento. Realizadas essas medidas, melhores perspectivas surgirão para o bem comum da sociedade brasileira.