A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 01/09/2018

“Transforme as pedras que você tropeça nas pedras de sua escada.” A frase, do filósofo Sócrates, parece inferir a transformação de um problema em algo construtivo. Nesse viés, posicionando a frase na atual conjuntura brasileira, pode-se afirmar que a xenofobia poderia muito bem ser interpretada como um obstáculo que impede a evolução do país. Contudo, implica aludir o preconceito e a carência educacional como principais impulsionadores da problemática.

Em primeiro plano, convém salientar, a discriminação e opressão como fatores histórico-sociais que necessitam ser debatidos. Sob essa lógica, cabe relembrar a Alemanha nazista, onde os judeus e estrangeiros eram tratados de maneira abjeta, e muitas vezes mortos e torturados, simplesmente por não fazerem parte da raça ariana. Infelizmente, práticas como essa ainda perduram no contexto nupérrimo, visto que o G1 divulgou uma pesquisa, da Secretaria Especial de Direitos Humanos de São Paulo, que registrou, só em 2016, 633 casos análogos ao de xenofobia, o que é alarmante, pois mostra que ações ignóbeis transpassam décadas e ainda são vigentes.

Deve-se pontuar, ainda, a ausência de uma base educacional como outro ponto relevante a continuidade dessas atitudes. Para o educador Paulo Freire, a intolerância, lamentavelmente, é a incapacidade de viver com o diferente, e, somente a educação pode mudar as pessoas. No entanto, é válido, ainda, ressaltar que no currículo de formação básica escolar, pouco se é debatido acerca da xenofobia, pois se tem o senso comum de que isso não existe no Brasil. Diante dessa visão, fica indubitavelmente evidente que visões preconceituosas são o reflexo de indivíduos intolerantes que necessitam trabalhar a aceitação por meio do esclarecimento.

Em suma, os impasses supracitados urgem ser elucidados. Destarte, consoante ao escritor James Baldwin: “Enquanto não se enfrenta o problema não há solução”. Portanto, ONG’s que lutam pela tolerância migratória, devem em parceria com o Ministério Educação e da Cultura, financiados pelo governo, planejar e elaborar oficinas teatrais e palestras em comunidades e em escolas, ministradas por imigrantes, com o fito de, transmitir para população em todas as camadas sociais, ideias de respeito e tolerância, mostrando como todas as culturas e pessoas devem ser respeitadas. Somente assim, retirando as “pedras” do caminho que se poderá alcançar um Brasil com mais alteridade.