A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 02/10/2018
Gilberto Freyre, sociólogo brasileiro, é conhecido por valorizar a miscigenação e estigmatizar a ideia de que o Brasil é um país sem preconceito, assim, analogamente, o país possui um estereótipo internacional de “nação acolhedora”, no qual a xenofobia é mascarada. Dessa maneira, torna-se imprescindível a discussão acerca dos fatores corroborantes a essa situação para que seja possível compreender as consequências desse problema.
Primeiramente, a generalização de ideias preconcebidas acerca de povos e o ultranacionalismo potencializam a xenofobia. Assim, historicamente, o nazismo exemplifica como governos nacionalistas e em crise podem facilmente criar aversão e ódio a determinados grupos, como os judeus, negros e homossexuais, que foram executados em massa durante a segunda guerra mundial pelos alemães. Ademais, o estigma social contra comunidades minoritárias encontra-se enraizado na sociedade brasileira, em que o etnocentrismo europeu exercido durante a colonização influencia o preconceito vigente em alguns brasileiros. Logo, refugiados que adentram o país são constantemente penalizados pelo aumento do desemprego, devido a crise no Brasil desde 2014, e julgados por suas diferenças culturais por serem considerados inferiores.
Como consequência, situações de agressões físicas e verbais direcionadas a estrangeiros estão cada vez mais constantes no cenário atual, no qual, em 2015 a Secretaria Especial de Direitos Humanos divulgou que as denúncias sobre xenofobia aumentaram cerca de 663% somente naquele ano. Outrossim, como declara o coronel do Exército Hilel Zanatta, que comanda a operação de atendimento aos estrangeiros, em 2018, cerca de 1,2 mil venezuelanos deixaram o Brasil após os ataques ocorridos em Roraima. Por fim, fica explícito a infração da lei presente na Constituição Federal de 1988, que criminaliza a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Portanto, é necessário que medidas sejam articuladas tendo em vista os fatos supracitados. Como defende o filósofo contemporâneo Habermas, o diálogo em si é a melhor forma de encontrar a razão. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação em conjunto com a mídia, por meio de palestras escolares e propagandas, conscientizar a população acerca da xenofobia e divulgar como denunciar comportamentos xenófobos, de forma que conceitos pré modelados sejam desconstruídos e assim as discriminações diminuam. Ademais, a segurança pública deve facilitar e agilizar os casos de denúncias, por meio da inserção de mais profissionais nessas áreas, para garantir os direitos dos estrangeiros em nosso país e penalizar infratores da lei.