A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 30/09/2018
No contexto sociopolítico atual, a xenofobia, que caracteriza-se pela aversão ao estrangeiro, tornou-se um assunto de destaque diante da crise humanitária que atinge o Oriente Médio e a Venezuela e que gera milhões de refugiados que necessitam de abrigo. Na medida em que cresce o número de imigrantes, políticas xenofóbicas e atos de violência contra essa minoria se fortalecem, motivados por crises econômicas e pela ignorância da população, o que evidencia que esse preconceito deve ser posto em pauta no Brasil, uma vez que atenta contra a vida de imigrantes, como os sírios.
Primeiramente, é notável que a crise econômica que atravessa o país tem sido utilizada como justificativa para a intensificação do nacionalismo entre os cidadãos. Como efeito da queda de empregos disponíveis, a população torna-se cada vez mais adepta a projetos que barrem a entrada de imigrantes no país, como a construção de muros entre Brasil e Venezuela. Essa visão, entretanto, não é confirmada, tendo em vista que os refugiados ocupam, muitas vezes, posições irregulares e situações precárias de trabalho que não seriam ocupados pela população em geral. Logo, é evidente que esse argumento é apenas uma tentativa de tornar mais aceitável o sentimento xenofóbico já existente e que persiste sem punição.
Ademais, a falta de conhecimento da população contribui para a normatização da xenofobia, especialmente no que tange aos refugiados do Oriente Médio, pois fortalece a islamofobia. A guerra da Síria, uma das maiores crises humanitárias atuais, gerou milhares de desabrigados que precisam de um lugar para se restabelecerem e, no entanto, não o encontram devido ao discurso de ódio da população que desconhece a cultura árabe e muçulmana, como consequência do fundamentalismo islâmico. Dessa forma, o medo alia-se à ignorância e culmina em atentados contra esses estrangeiros, o que demonstra que Helen Keller estava certa ao ressaltar que “o resultado mais sublime da educação é a tolerância”.
É evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas para resolver a problemática da xenofobia no país. Em primeiro lugar, o Ministério da Justiça deve assegurar que os ataques xenofóbicos sejam punidos por meio de um sistema de denúncias mais eficaz, com medias corretivas que eduquem o agressor sobre sua atitude nociva, de modo a evitar que novos atentados surjam e garantir a segurança dos imigrantes. Em segundo lugar, o Ministério da Educação deve combater o preconceito nas bases do crescimento, tal como diz Helen Keller, por intermédio de atividades interativas que despertem o interesse dos alunos e acabem com pensamentos arcaicos a cerca de outras culturas, para, por fim, criar cidadãos com empatia e acabar com a xenofobia e a islamofobia no Brasil.