A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 20/10/2018
“Já me chamaram de burro, chifrudo e macaco” afirma o haitiano Anivain Pierre, que mora no Brasil há mais de cinco anos. Casos assim estão se tornando cada vez mais comuns ao longo dos anos: segundo a Secretaria Especial de Direitos Humanos, o número denúncias sextuplicou entre os anos de 2014 e 2015. Isso demonstra que, embora a imigração tenha feito parte de sua formação, boa parte da população brasileira propaga a xenofobia contra povos que chegam ao país.
A sociedade brasileira é uma das que que possui maior multiplicidade étnica e cultural. Tal fato se deve principalmente ao grande número de imigrantes, em sua maioria europeus e africanos, que vieram para seu território ao longo do tempo. Contudo, é inegável que a cultura europeia foi melhor acolhida do que as outras, já que enquanto ela era tratada como “civilizada”, a africana e de outros povos era reprimida e tratada como folclore. Dessa maneira, instituiu-se um eurocentrismo velado na mente de grande parcela de brasileiros e, consequentemente, situações como a de Anivain e de muitos outros imigrantes não-europeus acontecem.
Assim, em resultado a isso, o Estado brasileiro sancionou a lei 9.459, em 1997, criminalizando a xenofobia. Porém, na prática ela é uma lei falha, pois muitos desse criminosos não são punidos: de acordo com uma pesquisa feita pela HuffPostBrasil nos judiciários estaduais, havia apenas 3 casos de xenofobia no Brasil e nenhum dos réus tinha sido condenado. Essa impunidade dá poder o xenófobo, que sente-se livre para cometer, cada vez mais, crimes contra imigrantes.
Diante do exposto, a xenofobia demonstra ser um problema grave e providências precisam ser tomadas para combatê-la. Primeiramente, cabe ao Poder Público fiscalizar a aplicação da lei e punir devidamente a quem comete esse crime. Por último, é necessário mudar esses esteriótipos criados pelo eurocentrismo, para isso, o Ministério da Educação deve inserir na grade curricular, uma matéria que trate da diversidade brasileira, assim formando humanos menos preconceituosos.