A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 23/10/2018

Na primeira década do século XXI, está em curso a chamada “crise migratória” por todo o mundo. Nela, pessoas arriscam-se em viagens por terra e mar com o intuito de simplesmente sobreviver ou ampliar suas possibilidades. No Brasil não é diferente. Assim, atraídos pelo mito do homem cordial, os refugiados adentram no país e são hostilizados. Dessa forma, a questão da xenofobia no território nacional deve ser tratada e uma intervenção tomada.

Em um primeiro momento, é necessário comentar sobre o mito do homem cordial na obra Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda. Para o historiador, a figura do povo alegre, tolerante e acolhedor atribuída ao brasileiro não é de todo verdadeira. Em realidade, ao termo cordial, o autor refere-se ao modo exacerbadamente passional e pouco racional dos brasileiros. Visto isso, não é de se espantar que, segundo dados da Secretaria Especial de Direitos Humanos, os casos de xenofobia cresceram 633% entre 2014 e 2015. De fato, percebe-se o quão intolerante e xenofóbico é o brasileiro.

Neste outro período, é importante ressaltar que apesar de o Brasil ter sido construído e moldado com a expressiva entrada de indivíduos de outras nacionalidades (as ondas migratórias de europeus em substituição à mão de obra escrava e os perseguidos das guerras mundiais) e da tipificação de xenofobia pela lei 9.459/1997, o brasileiro persegue e agride refugiados. É inadmissível pessoas as quais abdicaram de seu solo pátrio por causa de miséria, crise climática e guerras sofram no país da miscigenação.

Sendo assim, medidas de combate são necessárias. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação a criação e envio - para todas as escolas do território nacional - cartilhas de combate a xenofobia aos alunos de ensino fundamental e médio. Tal material será compilado por historiadores/geógrafos especialistas em imigração e terá como finalidade expor o quão forte é a miscigenação de povos de outras nacionalidades, bem como sua contribuição à cultura brasileira. Isto posto, as cartilhas deverão expor danças, comidas, musicas, costumes e crendices típicas do país, mas que possuem origem imigrante a fim de despertar coesão social e empatia.