A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 24/10/2018

Um país contraditório

No século XX, o modernismo inovou ao apresentar a obra Macunaíma, de Mário de Andrade, a qual personificava a origem do país - hoje entendida como “o mito das três raças” - negros, índios e europeus formaram o que se pensa de povo brasileiro. Entretanto, no cenário geopolítico atual, é perceptível o crescimento do ultranacionalismo, que traz a sensação que somente o povo daquele país é realmente necessário no território, imigrantes e refugiados são vistos como escória. Análogo a isso, no Brasil, esse sentimento tão contraditório,vem crescendo em números assustadores.

Outrossim, o Brasil sempre foi conhecido por sua hospitalidade, mas devido, principalmente, a crise econômica - terreno fértil para o crescimento de preconceitos, a saber o Holocausto na 2ª Guerra Mundial -, uma parte da população começou a ver os imigrantes como gargalo do crescimento, antes o país que recebia os haitianos de “braços abertos” em 2010, passou a incendiar pertences de venezuelanos em praça pública, em 2018. Ademais, esse episódio, ocorrido no município de Pacaraima - Roraima - foi o estopim para manifestações contra a permanência desses refugiados. Além disso, um venezuelano resumiu em uma máxima o desespero de seus compatriotas após serem “enxotados” do estado: “prefiro morrer de fome na Venezuela do que agredido aqui”. Para eles, o Brasil deixou de ser o país da cordialidade.

Paralelo a isso, o crescimento de “fake news” - notícias falsas - espalha medo entre a população, a exemplo das mensagem alarmistas da vinda dos refugiados de países islâmicos, que trouxeram pânico e repúdio entre os que se baseiam na teoria de generalização terrorista. Por outro lado, a xenofobia advém, também, de uma globalização excludente, por tipificar qual imigrante possui valor para o sistema econômico, dessa forma, os que não incrementam a economia são isolados e marginalizados, muitos detidos nos países em guerra, para esclarecer que o direito à vida, um dos “Direitos inalienáveis do Homem” não foi feito para todos.

É imprescindível, portanto, a atuação do governo federal, através do Ministério da comunicação, ao promover campanhas publicitárias que aflorem a sensibilidade da população, com artistas encenando a chegada dos primeiros povos e contando a história da miscigenação brasileira, paralelo a relatos dos imigrantes sobre a situação que os forçaram a abandonar seus países e o que esperam do Brasil, buscando, dessa forma, criar uma identificação por meio da alteridade e analogia, para que os brasileiros entendam que rechaçar o outro por sua nacionalidade contradiz com a essência nacional, a qual foi formada por diversas etnias, transformando o Brasil em um país “sem rosto” e multicultural.