A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 25/10/2018

Em meados de 1831, no Brasil Imperial, aconteceu um evento histórico, considerado um reflexo de um dos primeiros sentimentos xenofóbicos, a Noite das Garrafadas. Nesse episódio, os brasileiros patriotas não estavam satisfeitos em serem governados por portugueses, e então resolveram protestar. Com isso, hoje, percebe-se um espelho dessa ocorrência, o que revela um retrocesso legitimado por todos.

Nesse contexto, um dos vetores reside na atuação estatal. De acordo com a Constituição Brasileira de 1988, em seu artigo 5º, é assegurado aos estrangeiros a garantia aos direitos fundamentais, como dignidade para viver. No entanto, a prática desse direito social permanece na teoria, pois quando se contempla a realidade, percebe-se a existência de desrespeito e impunidade aos crimes xenofóbicos. Como substrato disso, nota-se o aumento exponencial da violência e do preconceito, consoante às pesquisas veiculadas pelo “O Globo”, houve um crescimento de 633%.

Ademais, outro condutor dessa mazela recai sobre uma sociedade egocêntrica. Conforme o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua teoria da Modernidade Líquida, as atitudes éticas se reduzem pela fluidez dos valores, a fim de atender aos interesses pessoais, que causa expansão do individualismo. Esse egoísmo intrínseco à coletividade, traduz a gênese dessa xenofobia e evidencia a causa da inexistência de ações que reivindiquem os direitos da sociedade como um todo.

Depreende-se, portanto, que há necessidade de uma reeducação social premente. Para isso, o Estado deve aderir às novas políticas públicas, que venham pôr em prática os direitos sociais garantidos em leis, por meio da condenação de crimes xenofóbicos, para que haja a extinção da impunidade e a garantia de segurança aos estrangeiros. Por sua vez, a escola pode auxiliar na orientação dos discentes quanto ao ensino da solidariedade e respeito, por intermédio de didáticas especiais, a fim de que o problema do egocentrismo seja tratado desde a base, como prevenção. Logo, o país poderá “caminhar” rumo ao desenvolvimento.