A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 27/10/2018

“A imigração floriu, de cultura o Brasil”. Esse trecho, do samba-enredo, vencedor do desfile de carnaval de 1989, destaca como o Brasil contemporâneo é caracterizado pela diversidade cultural resultante do processo formador de sua identidade. Contudo, notam-se as atuais manifestações xenofóbicas em contraponto à sua fama de país hospitaleiro. Diante disso, investigam-se fatores responsáveis pela situação, sobressaindo-se o nacionalismo exacerbado e o racismo.

Ao analisar a temática xenofóbica, vê-se que ela não surgiu agora. De fato, na Grécia antiga, apenas as pessoas nascidas nas cidades-estados gregas eram consideradas cidadãos e possuíam direitos. Atualmente, esse sentimento nacionalista exagerado fortalece o ódio aos imigrantes, tal qual acontece com os venezuelanos que buscam refúgio no Brasil. Assim, conforme cresce o número de refugiados, as denúncias de xenofobia mudaram de 45 para 241 entre 2014 e 2016, segundo a Ouvidoria de direitos humanos. Desta maneira, os imigrantes são expostos a situações que ferem a dignidade humana, principalmente os que estão em situação de vulnerabilidade social, como a violência e a fome. Torna-se claro, nesse sentido que o Estado não fornece os subsídios e os devidos serviços para que essas pessoas possam progredir no país.

Ademais, é preciso pontuar, ainda, que a xenofobia também deriva do sentimento de superioridade de uma cultura sobre a outra e em estereótipos e racismo. Entretanto, o próprio Brasil possui uma identidade cultural influenciada por diversos países e costumes, sendo assim, inaceitáveis, as ideias xenofóbicas nutridas por qualquer cidadão. De acordo com o estudo “Dois séculos de imigração no Brasil”, o pesquisador Gustavo Barreto mostra que a aceitação de imigrantes sempre foi seletiva, com diferenças em relação a europeus (vindo de países desenvolvidos) e africana (que chegam de países pobres). Os primeiros são valorizados, enquanto os segundo, em geral, são hostilizados e sofrem racismo, visões que são passadas para as futuras gerações. Denotando o quão enraizados estão os preconceitos dos brasileiros e a necessidade de sua desestruturação.

Logo, para solucionar tais problemas, cabe ao Ministério da Educação, junto com professores e psicólogos, realizar palestras em escolas, para os alunos, sobre a diversidade cultural e tolerância, a fim de desconstruir os preconceitos, o nacionalismo e o racismo e formar cidadãos respeitosos. Além disso, os governantes devem instituir políticas públicas, juntamente à iniciativa privada, por meio de incentivos fiscais às cidades que abrigam os refugiados e os demais imigrantes, promovendo um acolhimento de qualidade. Associados, esses caminhos garantirão os princípios de equidade, universalidade e integralidades a todos, brasileiros e imigrantes.