A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 30/10/2018
Na Grécia Antiga, precursora da democracia, somente os homens livres e nascidos em Atenas tinham direito ao voto - os estrangeiros, que eram maioria, não eram considerados cidadãos. Hodiernamente, esse fato assemelha-se à situação dos imigrantes no Brasil, os quais ainda buscam direitos e respeito. Nesse contexto, não há dúvidas de que a xenofobia - aversão à pessoas de outras nacionalidades - é um desafio no Brasil, o qual ocorre, tristemente, devido não só ao preconceito social, mas também à negligência governamental.
Inicialmente, um entrave é a mentalidade retrógrada de parte da população, que trata com hospitalidade imigrantes brancos ou europeus e despreza os que vêm de países africanos ou considerados pobres. De fato, tal atitude errônea se relaciona ao pensamento do filósofo A. Schopenhauer, de que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Nesse sentido, isso ocorre devido à visão eurocêntrica dos portugueses ao se instalarem no Brasil, vendo o nego como útil apenas para a mão de obra escrava e os europeus como os verdadeiros habitantes. Assim, uma mudança nos valores sociais se faz necessária a fim de atenuar o fato.
Além disso, de acordo com a lei 9.459, de 1997, são considerados crimes quaisquer tipos de preconceitos, inclusive o xenófobo - todavia, o Poder Executivo não vem efetivando esse direito. Consoante Aristóteles, na obra “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade aos cidadãos; contudo, logo se verifica a distorção desse conceito no Brasil, à medida que muitos imigrantes ainda vivem na pobreza e sem amparo do poder público, fazendo seus direitos permanecerem no papel.
Desse modo, se faz imprescindível a adoção de medidas para garantir a dissolução deste triste problema. Urge-se a criação, por parte do Congresso Nacional, de um projeto de lei que garanta direitos assegurados aos imigrantes - como acesso ao SUS e outros serviços públicos - e diminua a parte burocrática para o visto de refugiado ou de cidadão. Ademais, o Governo Federal deverá promover a inserção de campanhas de cunho educativo sobre a importância do estrangeiro na construção de um país mais desenvolvido, a serem veiculadas nas mídias de grande impacto, como emissoras de TV e redes sociais, reduzindo, em parte, a visão deturpada de parte da população para com os imigrantes. Assim sendo, a realidade distanciar-se-á da xenofobia, tão comum na Grécia Antiga.