A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 01/11/2018
No período helenístico grego, a Escola Estoica se preocupou, pela primeira vez, em defender que o ser humano é um " cidadão do mundo". No entanto, refugiados que fogem de perseguição, fome, e guerra, estão sendo segregados e discriminados por atos xenofóbicos, principalmente no Brasil. Desse modo, além de o Estado garantir a inserção e direitos básicos a esses indivíduos, é necessário que a população brasileira, que é fruto da miscigenação, repense o modo de como tratar os novos habitantes.
A priori, a própria falta de apoio governamental aos refugiados acomete em uma marginalização desses no território nacional. Nesse contexto, a ineficácia das poucas políticas de auxílio propiciam a disseminação de doenças e o aumento dos bolsões de pobreza, “motivando” a repulsa dos cidadãos brasileiros aos refugiados. Assim, mesmo que o estudo da Paris School of Economics tenha afirmado que o investimento em setores básicos de inclusão para os refugiados garantam, à longo prazo, o crescimento do PIB, as autoridades fecham os olhos para a causa humanitária. Por consequência da negligência, os forasteiros, além de sofrerem de preconceitos e exclusão, dificilmente adentram no mercado de trabalho, fomentando a pobreza e a miséria para esse grupo.
Outrossim, a ignorância presente em parte da população, permite que atos de injúria e preconceitos sejam proferidos aos refugiados. Nesse bojo, ações de segregação e desrespeito aos forasteiros se apresentam como uma irreverente incógnita, haja vista que a população brasileira é formada pela fusão de diversas culturas e etnias distintas, como afirma Darcy Ribeiro na obra “O povo brasileiro”. Dessa forma, o crescimento de atos xenofóbicos aumentou 600% em 2017, segundo a Secretaria Especial de Direitos Humanos, evidenciando o descaso e as dificuldades presenciadas no cotidiano desses cidadãos. Em decorrência disso, é evidente que a situação presenciada pelos refugiados diariamente dificulta sua integração e possibilidade de se estabelecer de forma segura e feliz no Brasil.
Torna-se evidente, portanto, que Estado e sociedade devem rever a forma de acolher e promover a cidadania aos refugiados. Destarte, os Ministérios da Educação e da Saúde, por meio dos postos de saúde e Centros de Referência de Assistência Social ( CRAS), devem promover o atendimento básico, com o ensinamento da língua portuguesa, vacinas, e alimentação, a fim de destruir a imagem de que os forasteiros trazem doenças e prejuízos, concomitantemente, desgastando o sentimento xenofóbico. Ademais, o Poder Judiciário, por meio das forças policiais e em parceria com a mídia, deve divulgar nas regiões de maior fluxo migratório, o número do “Disque denúncia”, para que a população consciente ajude a polícia a identificar os casos de xenofobia e coíba atos de segregação. A partir de tais medidas, o Brasil fará jus de seu título: “País da Solidariedade”.