A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 03/11/2018
Em “O Ladrão Negro e o Cavaleiro do Vale Estreito”, um dos contos reunidos pelo folclorista escocês Andrew Lang, O Cavaleiro, visando proteger o seu corcel Guizo de Cascavel, decreta a morte pelo fogo a todos aqueles que ousarem entrar em sua propriedade. De igual modo, no que diz respeito a xenofobia no Brasil, o homem por não saber portar-se ante ao desconhecido acaba mostrando-se radical frente ao problema dos imigrantes. Embora seja evidente o erro de tal radicalismo, a ineficiência da lei vigente colabora para o alastramento do problema.
De acordo com a Secretaria Especial de Direitos Humanos na plataforma Disque 100, entre 2014 e 2015 houve um aumento de 633% das denúncias de casos de xenofobia do país, ao passo que na justiça quase não houve prosseguimento dos relatos ou registros de punições. Embora a lei 9.459 de 1997 tipifique o crime, pouco é visto de sua aplicabilidade.
Não obstante, o temor dos radicalistas fundamenta-se na perda da identidade cultural, e assim como o Cavaleiro do Vale Estreito com a proteção de seu corcel, o povo almeja proteger esta cultura. Isto de-se a imagem errônea construída a despeito do que não se conhecesse. Todavia esquecem-se de que o sangue que corre nas brasileiras é, em grande parte, de imigrantes.
Em suma, é primordial que medidas sejam tomadas a fim de atenuar o problema, tais como o reforço da lei por parte do poder Judiciário para que os imigrantes e refugiados que buscam um local seguro não venham a sofrer ainda mais com tal aversão; bem como a melhor seletividade por parte do Executivo, não permitindo que extremistas entrem, visando o bem da nação; e conscientização de todos por meio de palestras promovidas pelas escolas por parte do Ministério da Educação e campanhas publicitárias das grandes mídias com o fim de incluir e desconstruir preconceitos daqueles que, como todos, tem o direito de igualdade perante a lei, de desenvolvimento e respeito em qualquer lugar que estiverem.