A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 16/03/2019
Em agosto de 2015, um grupo de haitianos foi baleado na cidade de São Paulo. O crime, demarcado por razões xenofóbicas, deixou seis feridos. Definida como a aversão a pessoas ou coisas estrangeiras, a xenofobia sofre aumentos significativos a cada ano. Embora seja conhecido pela diversidade étnica e cultural, observa-se no Brasil a persistência de mecanismos responsáveis pela perpetuação de ações discriminatórias contra imigrantes e refugiados. Se por um lado o país carrega a fama de ser cordial e receptivo, o aumento do número de denúncias recebidas pela Secretaria Especial de Direitos Humanos demonstra a triste faceta de um povo que ainda não aprendeu a respeitar as diferenças.
Numa primeira instância, é necessário analisar os efeitos da globalização. O processo possibilitou não só a integração entre as diferentes etnias como também a intensificação dos fluxos migratórios. Em Disneylândia, canção interpretada pela banda Titãs, observa-se o retrato de uma população miscigenada: “Filho de imigrantes russos casado na Argentina com uma pintora judia”. Dados apurados por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revelam que poucos lugares no mundo passaram por uma miscigenação tão intensa quanto o Brasil. Nesse sentido, percebe-se que a intolerância não decorre por falta de contato, mas pela pouca compreensão de outras culturas.
Ademais, o advento do capitalismo e a quebra da bolsa de Nova York em 1929 fomentou a gênese de uma ideologia nacionalista e aversa aos estrangeiros. Outrossim, a recessão do mercado de trabalho, provocada pela crise de 2008, instigou um espírito de competitividade entre os trabalhadores. Estes, inteirados da situação econômica e temerosos pela possibilidade do desemprego, enxergam o imigrante como um antagonista. Destaca-se ainda a prevalência de diversos estereótipos que contribuem para a formação de opiniões estigmatizadas. Assim, observa-se a necessidade de se extinguir todos os pensamentos que são enraizados sob pretextos de uma falsa superioridade.
Desta forma, torna-se imprescindível a adoção de políticas mediadoras a fim de contornar essa realidade. A intervenção do Estado em prol da segurança de todos os cidadãos se torna concebível a partir da criminalização da de propagação de notícias inverídicas. Ademais, é necessário que o Ministério da Justiça promova a vigência de sanções ponderadas a fim de que os praticantes de tais delitos sejam punidos. Somado a isto, cabe ao Ministério da Educação fomentar o interesse da população pelo tema por meio de feiras, palestras e atividades que demonstrem os hábitos e as crenças de outros povos.