A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 21/03/2019
No ano de 1831, no Rio de Janeiro, como resultado de um dos primeiros sentimentos xenofóbicos do Brasil, brasileiros atacaram os portugueses com pedras e garrafas, num histórico episódio conhecido como “A Noite das Garrafadas”. Já nos dias atuais, Mohamed Ali, refugiado sírio residente no Brasil, foi hostilizado e agredido verbalmente, onde era possível ouvir expressões xenófobas como “saía do meu país”. Tais fatos demonstram que a xenofobia esteve presente no passado brasileiro e se perpetua também no presente, onde, sobretudo, a ignorância quanto à diversidade e o nacionalismo exacerbado fazem parte desse extremo fenômeno social.
Nota-se como tal fenômeno é preocupante ao se analisar os dados fornecidos pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos. De acordo com esta, constatou-se o crescimento das denúncias de xenofobia em 633% no Brasil. É necessário salientar que xenofobia não está relacionada apenas com aqueles fora das fronteiras nacionais; existe, ainda, a do tipo inter-regional, predominante em nações tão plurais como o Brasil. É o caso, por exemplo, dos nordestinos que se deslocaram para servir de mão de obra na construção de Brasília e foram pejorativamente apelidados de “candangos”, um roedor, demonstrando o status inferior que lhes era dado por conta de suas origens e traços culturais.
Paralelamente a isso, os venezuelanos, fugindo da grave crise política e econômica que assola seu país, vieram para o Brasil e, por conta de um exagerado e extremo nacionalismo, também foram vítimas de xenofobia. Como exemplo, na cidade de Pacaraima, os venezuelanos foram forçados a atravessarem a fronteira de volta para sua nação, insultados e vaiados pelos brasileiros, que assistiam a cena ao som do hino nacional.
Com isso, fica evidente a gravidade da xenofobia em território nacional, e urge a necessidade de ações para combater tal fenômeno. O Ministério da Educação poderia, por meio de palestras e debates para alunos e família, alertar e conscientizar sobre a importância do combate à xenofobia, fazendo valer a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, onde é papel das ciências humanas formar o indivíduo para a diversidade. Ainda, o Governo Federal, através de parcerias público-privadas com as grandes empresas de publicidade e propaganda, poderia investir no Marketing Social, onde personagens de diversas origens históricas fariam parte das produções televisivas. Só assim poderemos fazer valer o respeito à diversidade étnica e garantir que a xenofobia seja um fenômenos cada vez menos presente na sociedade brasileira.