A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 25/03/2019
Na obra “Jeca Tatu”, o pré-modernista Monteiro Lobato expõe, por meio da repulsa sofrida pelo personagem principal (que era um caipira, à merce das negligencias do governo, vivendo à margem da sociedade) o quão ampla e complexa é a questão o estereótipo proveniente da nacionalidade do indivíduo. Na contemporaneidade, mesmo com o avanço dos direitos humanos, essa cruel realidade ainda se faz presente graças ao catastrófico pensamento preconceituoso que é propagado dentro da sociedade, além da omissão do poder público quanto à defesa dos imigrantes.
De início, pode-se lembrar que a opressão sofrida por pessoas que migram de estado ou país não é uma invenção do século XXI, durante a Segunda Guerra Mundial, o partido Nazista massacrou povos étnicos minoritários apenas por sua identidade cultural e apátrida (como, por exemplo, os judeus). Segundo o jornal O Globo, no ano de 2015, as denúncias de xenofobia no disque 100 cresceram cerca de 633% no Brasil. Esse dado alarmante concretiza que o Brasil é um país extremamente intolerante, deixando à margem da esfera econômica, educacional e social àqueles que vêm de outros países ou até mesmo os povos que migram de um estado brasileiro para outro. A xenofobia se faz presente no cotidiano dessas pessoas e sua gênese está, incontestavelmente, no preconceito.
A Constituição cidadã de 1988 garante pleno acesso à educação, saúde e dignidade a todos os presentes em território nacional, em contraste, o governo age com imensurável descaso, dificultando a inserção social desses imigrantes. Tem-se como exemplo os imigrantes venezuelanos, que buscam um abrigo seguro, mas são tratados com extremo desrespeito, sofrendo agressões físicas e verbais, além de serem vetados ao acesso aos direitos básicos do ser humano. É de suma importância lembrar que o preconceito se dá graças aos estereótipos que ocorrem por questões físicas, religiosas e étnico-culturais, propagando sofrimento nos lares daqueles que buscam abrigo. Segundo a ativista Helen Keller, “o resultado mais sublime da educação é a tolerância”, sob esse viés, pode-se concluir que o único caminho para fazer do Brasil uma nação plural e inclusiva, é a educação de qualidade, que utilizada da maneira correta tem o poder de propagar empatia e dignidade a todos.
Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. O Ministério do Desenvolvimento social deve exigir do poder público a garantia dos direitos básicos aos imigrantes em todo território nacional. Para isso, deve-se implantar abrigos gratuitos que ofereçam atendimento médico, educação básica de qualidade para a inserção no mercado de trabalho, alimentação gratuita, além de apoio psicológico. É imprescindível também que haja empatia e apoio da sociedade brasileira para com essas pessoas, facilitando a manutenção da dignidade e da pluralidade em território nacional.