A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 01/04/2019

Por conta de sua formação histórica, o Brasil mostra-se um país com forte miscigenação étnica e cultural. Esse fato contribuiu para que muitos refugiados e imigrantes se mudassem para o país. Porém, o que vários encontraram aqui foi uma xenofobia velada baseada no estigma atrelado às suas culturas e no medo equivocado de cidadãos que acreditam na possível perda da identidade nacional.

Um estrangeiro, seja qual o for o motivo pelo qual ele mora em determinado local que não for sua terra natal, acaba sendo mais suscetível a sofrer retaliações ou acolhimento. O sociólogo Erving Goffman deu a esse fenômeno o nome Estigma e o classificou em três tipos, entre eles o ´´tipo tribal``. Muitas das pessoas que praticam xenofobia apontam como causa de sua aversão a etnia e a religião dos imigrantes. Esses dois pontos estão dentro do que Goffman descreve como tipo tribal.

Uma concepção de nacionalidade partiu do professor Benedict Anderson, que defende que o declínio da crença em um domínio religioso ao redor do mundo levou os indivíduos que tinham uma língua comum entre si, se sentissem pertencentes a uma nação unificada. No momento em que essa convicção deixa de ser saudável e torna-se exacerbada, o preconceito com refugiados/imigrantes intensifica-se e a sobrevivência dessas pessoas fica comprometida, pois no fim são vistos como ameaça à integridade da identidade nacional.

Tendo em vista os argumentos utilizados, a questão da xenofobia no Brasil pode ser contornada com a ajuda do Ministério da Cultura em parceria com o Ministério da Educação, ao implantarem nas grades curriculares escolares e em eventos diversos, palestras com convidados que tenham experienciado de alguma maneira a xenofobia, mostrando a importância do conhecimento sobre outros povos, para assim ajudarem a desconstruir os preconceitos  acumulados ao longo dos anos.