A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 27/03/2019

O Brasil é reconhecido internacionalmente por ser extremante receptivo com os estrangeiros. Foi o que a revista Veja constatou após uma pesquisa realizada com turistas em 2015. Entretanto, os recorrentes casos de xenofobia, agressões físicas e verbais contra os refugiados, evidenciaram a seleção preconceituosa de quem merece ou não o carisma, a simpatia e, principalmente, o respeito da população do país do futebol.

Em uma primeira análise, faz-se necessário destacar o descaso das autoridades. Apesar da xenofobia ser considerada crime no Brasil, a impunidade da maioria dos casos levou a um aumento considerável desse tipo de transgressão, haja vista que, conforme pesquisas realizadas pela Carta Capital, houve um acréscimo de 288 casos entre 2014 e 2015. Fato que chamou a atenção da Secretaria de Direitos Humanos pela gravidade do ocorrido.

Além disso, outro aspecto que colaborou negativamente para essa triste realidade é o fato de muitos colégios (públicos e particulares) ignorarem a lei que obriga o ensino de cultura afro, segundo o jornal Folha de São Paulo. Entre outros objetivos, a determinação tem como propósito a educação do público infantil, para que posteriormente se tornem adultos responsáveis, tolerantes e conscientes de seus direitos e deveres. Respeitar o próximo deveria ser um valor ensinado em casa, no entanto, dada as circunstâncias, fica claro que não acontece e que o estado deve intervir.

Portanto, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Pode-se contar com o Ministério da Justiça para fazer valer a lei por meio de punições mais efetivas, agilizando os processos e julgamentos a fim de diminuir os casos de impunidade. Como bem ilustrou o grande filósofo Kant: “O ser humano é aquilo o que a educação faz dele”. Logo, cabe, também, às escolas, a promoção de sarais e debates acerca do tema, elegendo uma comissão de professores, sociólogos e psicólogos para elaboração do material e fiscalização do processo. Espera-se que assim, nossa sociedade se torne cada vez mais instruída e tolerante com as diferenças.