A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 01/04/2019
Ocorreu um imprevisto ontem e não consegui enviar o texto sobre " O Índio em Foco na Atualidade" mas gostaria muito de uma correção. Vou mudar a dissertação para sábado para evitar isso.
A chegada do colonizador português ao Brasil em 1500 provocou uma série de mudanças no modo de vida da população nativa. Nesse sentido, o etnocídio dos autóctones se deu, a priori, mediante o escravismo. A posteriori, o genocídio proporcionado pelo bandeirantismo dos séculos XVI e XVII prolongou-se até a contemporaneidade. Dessa forma, a lentidão na demarcação de propriedades indígenas e a ignorância sobre a cultura aborígene legitimam o descaso enfrentado pela etnia. Fatos como esses demonstram a ineficiência ou inexistência de políticas públicas voltadas ao tema e evidenciam a necessidade de se discutir acerca do índio na atualidade.
É importante pontuar, de início, que a morosidade do legislativo em relação à homologação dos atos referentes à delimitação de áreas indígenas fomenta os conflitos de terra. Porquanto, mesmo após o marco do sítio da aldeia, recursos judiciais provenientes de agronegociantes, agricultores, visando o uso das localidades para si, são evidenciados. Dessarte, isso dificulta a tramitação. Por conseguinte, segundo afirma o Conselho Indigenista Missionário, aproximadamente 53% dos processos referentes à definição de lugares aborígenes sequer foram iniciados. Outrossim, a ausência de patrulhamento nas herdades já determinadas aumenta os confrontos contra nativos, pois segundo a Comissão Pastoral da Terra 54% dos embates são em fazendas das tribos originárias.
Ainda, é importante pontuar que existe um resquício do pensamento do colonizador português do século XVI na sociedade brasileira contemporânea que subjuga os índios como inferiores, impondo eles à condição de bárbaros. Portanto, frases como a do então presidente do Brasil Jair Bolsonaro, “os índios vivem isolados do brasil de verdade”, parecem inferir que a cultura indígena não faz parte do Brasil e, por consequência, é ínfera. No entanto, essa é uma visão ultrapassada sob o olhar de um Estado democrático de direito e só reforça a intolerância por parte da sociedade.
Por tudo isso, faz-se necessário que haja uma mobilização da sociedade com vistas a diminuir os problemas relacionados ao tema. Para tanto, o Ministério da Agricultura deve acelerar o trâmite dos processos referentes à legitimação das terras indígenas, por intermédio da seriedade e da exclusão do conflito de interesses da Ministra Tereza Cristina que esta a frente da pasta, haja vista que ela era líder da Bancada Ruralista no Congresso, para garantir suporte civil aos nativos. Além do mais, o governo deve promover campanhas acerca da cultura indígena, por meio da inserção de propagandas afins em canais abertos de TV, redes sociais, revistas, a fim de desmistificar o preconceito contra eles.