A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 28/03/2019

Com a colonização portuguesa, nasce o Brasil, fruto de estupros entre índias e africanas escravizadas. Uma vez que a população indígena e preta era mais presente em um país colonizado por europeus, o governo, no início do século XX, convocou imigrantes brancos na tentativa de clarear a nação e ocupar os postos de trabalho deixados após a abolição da escravidão. Dessa forma, o país é construído sob uma perspectiva de xenofobia política essencialmente racista.

Muito antes do Império Romano ser derrubado, os povos germânicos migravam para dentro do império e trabalhavam na área rural. Entretanto, quando a situação saiu do controle, devido às crises na produção agrícola, esses povos iniciaram uma disputa política por melhor condições de vida e, assim, convencionou-se chamá-los de bárbaros. Bem como na Idade Média, a contemporaneidade brasileira é marcada por uma crise na Venezuela e, em menor intensidade, no Brasil. É incontestável que há um crescimento de discursos de ódio a esses estrangeiros, muitas vezes, motivados pelos índices de desemprego acima dos 12% e um aumento do fluxo migratório venezuelano de 3.000% em 3 anos, segundo o IBGE, o que estimularia uma ideia de maior competição por emprego.

Entretanto, essa aversão aos estrangeiros tem uma marca impulsionada, além da atual conjuntura política, pela estrutura histórica e racista do Brasil. À medida que venezuelanos e angolanos são rejeitados pela sociedade, existe uma forte aceitação aos europeus e norte-americanos que, inclusive, faz com que os brasileiros sejam frequentemente reconhecidos como “hospitaleiros”. Nesse sentido, algumas posições do governo eleito expressam esse sentimento xenofóbico seletivo, como a saída do Pacto de Migração da ONU (com caráter humanitário) em contraposto à isenção de visto para países como o Estados Unidos e a Austrália (com viés ideológico e econômico).

Portanto, a xenofobia no Brasil é evidente fruto de processos históricos e políticos que precisa ser combatido. Sendo assim, quando Paulo Freire salienta que uma educação alienante cria indivíduos oprimidos com o desejo de oprimir, ressalta-se o papel das escolas nas transformações sociais que urgem nesse contexto. Para isso, é necessário solucionar as diversas posturas na nossa sociedade pela aprendizagem teórica e prática. Logo, é dever das instituições de ensino, em união às ONGs que acompanham as situações de imigrantes, estimular a empatia dos seus estudantes por meio de aulas, pesquisas e palestras com diversos refugiados, ampliando o conhecimento da diversidade cultural e a análise social crítica de crianças e adolescentes. Finalmente e, só assim, os brasileiros terão a chance de refletir sobre as origens do país e compreender a situação de outros seres humanos, independente da nacionalidade, condição financeira ou etnia.