A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 29/03/2019
Na Antiguidade Clássica, a cidade de Esparta era conhecida como sendo a casa dos gregos mais ferozes e fortes, bem como os mais brutos. Um histórico de contínuos envolvimentos em batalhas e a paixão incondicional de seus habitantes pelo lar contribuíram para a construção de uma imagem extremamente negativa sobre qualquer outro povo, mesmo não o conhecendo. Na contemporaneidade, o Brasil se encontra em uma situação similar àquela vivida nos dias do mundo antigo, permitindo uma análise acerca da questão da xenofobia em pleno século XXI.
A priori, é válido ressaltar a persistência de um inconveniente social dura desde tempos imemoriais. A história humana ensina que é necessário estabelecer vínculos entre o homem e sua terra natal, a fim de que em períodos de grande tensão nas políticas interna e externa, como ditaduras e guerras, mesmo os mais divergentes adversários tenham em comum a determinação de proteger suas casas, famílias e nações de qualquer flagelo possível. Ora, tal doutrina aliada à ignorância e falta de educação de muitos produz o mesmo efeito observado na antiga pólis, fazendo com que o preconceito seja passado adiante e que paredes sejam erguidas tendo no lugar do cimento, o ódio.
Segundo o célebre pensador francês Michel Foucault, a arqueologia e a genealogia são duas ferramentas úteis na explicação de fenômenos sociais, onde aquela é responsável por “escavar” o passado da sociedade e esta por verificar a hereditariedade de ideias que a estruturaram. Tomando o território brasileiro como objeto de estudo, é possível inferir que acontecimentos como a luta pela instauração da república, os conflitos entre conservadores e liberais em meados do século XX e o trauma do golpe militar criaram no brasileiro um sentimento de identidade que a geração atual carrega e vê com maus olhos tudo o que é exterior à sua cultura.
Portanto, faz-se crucial adotar medidas de intervenção. Uma ampla parceria entre o Ministério de Educação e Cultura (MEC) e o Governo Federal, no investimento na formação e pós-graduação de pedagogos e sociólogos que trabalhem para minar qualquer resquício de preconceito na consciência de crianças e adolescentes, respectivamente, além do estímulo familiar para mostrar aos jovens, por meio de diálogos, a importância da afabilidade e da complascência, contribuiriam como soluções a médio e a longo prazo.