A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 07/04/2019

Xenofobia tem cor

Ao analisar os grupos de imigrantes, percebe-se que grande parte, ou são refugiados de países em guerra, ocupações e invasões realizadas por grandes nações em nome da continuidade do capital, ou têm seu país sob alguma catástrofe. Esse fato está intimamente interligado a cor dessas pessoas. O racismo lidera, a motivação de mortes em nossa sociedade. Jovens e adultos negros e negras, morrem diariamente nas periferias brasileiras. Por conseguinte, imigrantes negros e negras, sofrem de igual forma no Brasil, como podemos ver nos dados do Carta Capital onde as principais vítimas de xenofobia são haitianos (26,8%).

Quanto aos de origem árabe ou muçulmanos, segundo lugar dessa lista com 15,45%, têm o ódio contra si alimentado, pelo boom da propaganda anti islamista e anti arábica que os EUA faz desde 2001, para justificar suas ações no Oriente Médio.

Um país com aumento de 633% de registros, recebidos pela Secretaria Especial de Direitos Humanos onde, quase nenhuma dessas denúncias prosseguiram ou xenófobos foram punidos (Carta Capital, 2017) e, responde criando uma campanha exclusiva para redes sociais através de hashtags, não é um país contra a xenofobia. Essa campanha não tem ação real de prevenção e proteção aos imigrantes. Ou seja, o Governo Brasileiro, pouco ou nada tem feito, para proteger e oferecer reais condições de sobrevivência à esses imigrantes. Principalmente, se eles forem negros e de países subdesenvolvidos. Se, essas pessoas, não teriam um tratamento digno, qual a razão de abrir nossas portas para todos os refugiados? Exploração a baixo custo de seu trabalho? E, todos os estrangeiros são tratados de igual forma no Brasil? Ou somente aqueles, que não trazem características europeias, são vítimas? Novamente, o elemento cor, etnia e raça, são as peças-chave para compreender as motivações da xenofobia.

A mudança dessa realidade aterradora, somente será dada ao enfrentá-la de frente, de maneira real, saindo da confortabilidade e ineficácia a longo prazo das redes sociais, lidando no cotidiano com as pessoas. De colégio em colégio, público e privado. De universidade à faculdade. De sindicatos à associações e grupos de moradores. Fábricas e empresas. Construir uma campanha massiva que englobe redes de proteção que interajam e auxiliem esses imigrantes até estarem estabilizados no país. E, para aqueles, já vítimas de violência, além de apoio psicológico, é urgente agilizar o processo burocrático que é tão lento para trazer justiça à muitos, mas bastante veloz para inocentar aqueles que alimentam esse mesmo capital que mata, que violenta e que humilha.