A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 31/03/2019
Segundo Sartre, filósofo francês, o ser humano é livre e responsável; cabe a ele escolher seu modo de agir. No entanto, tal afirmação se demonstra equívoca quando relacionado “a questão de xenofobia no Brasil”. Haja vista que fatores sociais, culturais e históricos ocorridos desde o período clássico, lançaram no homem o imperativo de aversão perante ao estrangeiro. Convergindo assim, a problemática para os dias atuais.
Nas grandes pólis gregas como a de Atenas, os cidadãos mantinham amplo acesso em expressões mais intrínsecas de cidadania. Contudo, os metecos (forasteiros residente da pólis) não eram considerados membros efetivos da sociedade, apesar de apresentarem grande participação na economia. Tais ideais, foram aderidos na cultura europeia e posteriormente com o advento das ‘‘grandes navegações", professados nos demais continentes. No final do segundo reinado brasileiro em 1889, a mão de obra escrava encontrava-se “abolida” legalmente, fato esse que, proporcionou a imigração de diversos povos para suprir as demandas nas lavouras. Porém, as condições ofertadas eram degradantes e cansativas, além de terem que aguentar ofensas de cunho xenofóbico. Na contemporaneidade, a falta de debate visando um “consenso geral”, acaba por perpetuar essas mazelas sociais com aqueles advindos de fora, tanto com os que emigram na própria federação.
Parafraseando a ativista Helen Keller, “o resultado mais sublime da educação é a tolerância”,verifica-se uma falha no sistema educacional brasiliano, pois, “houve crescimento na violação de direitos dos migrantes, cerca de 633% no período de 2015 se comparado aos dados de 2014”, afirma o jornal o globo. De acordo com o pensador Leandro Karnal, o fenômeno da pós-verdade se transforma em uma “seleção afetiva de identidade”, na qual o sujeito agrega para si, uma visão distorcida ante o diferente, exemplificado na falsa crença de que todo árabe (etnia) é muçulmano (islâmico) e terrorista. Entretanto, a carência de seres tolerantes e conscientes do poder da educação para alterar esse panorama, identifica-se necessário modificar.
Portanto, medidas são indispensáveis para resolver o impasse. O Governo Federal, aliado ao Ministério da Educação, através de verbas federativas, devem remodular a base curricular de ensino para propiciar uma maior efetivação e respaldo para áreas da filosofia,sociologia,historia e geografia. Tendo como objetivo, formar jovens e adultos emancipadores, engajados e cientes das diversidades regionais, de costumes e sociais não só do seu país,mas do mundo. Consequentemente, também é preciso punir com medidas cabíveis os agressores da ordem democrática e dos diritos civis, assegurados na constituição de 1988. Só assim, será possível concretizar as premissas sartreana.