A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 07/04/2019

Em Esparta, uma pólis da Grécia Antiga, para se tornar cidadão era necessário, entre outros critérios, ser filho de mãe e pai espartanos, enquanto os estrangeiros eram marginalizados e não possuíam direitos políticos. Nota-se, que o preconceito baseado nas diferenças de origem geográfica ou étnica, se perpetua ao longo dos séculos, e tem se evidenciado, na atualidade, devido ao aumento do número de refugiados, que procuram uma vida melhor em outros países. Desse modo, é de fundamental relevância avaliar como a questão educacional e a crise econômica têm contribuído para o aumento da xenofobia na sociedade brasileira e, assim, obter alternativas para combater essa problemática.

Em primeiro plano, quando a filósofa Helen Keller diz que “O resultado mais sublime da educação é a tolerância”, destaca-se a necessidade de um sistema educacional acessível que auxilie o desenvolvimento social e cultural dos indivíduos. Contudo, o ensino básico brasileiro, frequentemente, carece de eixos, eficientes, que ensine aos jovens a importância de respeitar todas as culturas e identidades, além de desenvolver o censo crítico, ajudando, assim, a romper com estereótipos difundidos na sociedade, como a falácia que " todo muçulmano é terrorista". Por conseguinte, a pouca informação intercultural propicia atos de descriminação e violência, à exemplo do ocorrido, em 2017, com Mohamed Ali, refugiado sírio, que foi verbalmente agredido no seu trabalho, devido a sua origem.

Concomitantemente, à questão educacional, nota-se que a crise econômica, vigente no país, ocasiona, assim como aconteceu na Alemanha destruída pela Primeira Guerra Mundial, o aumento do sentimento nacionalista, o que favorece o discurso xenófobo, em geral, justificado pelo medo dos estrangeiros “roubarem” as vagas de emprego, tão almejadas pelo brasileiro. Somado a isso, de acordo com os registros recebidos pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, os casos de xenofobia, apesar de ser definido como crime, cresceram 663 %, entre 2014 e 2015, esses dados corroboram a falta de impunidade como uma das razões do aumento desse tipo de preconceito.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa situação. Para tanto, é preciso que o MEC, com o auxílio de ONGs, deve promover em todas as escolas, palestras e ações educativas - direcionadas por profissionais - que por meio do contato com diferentes culturas ensinem aos jovens as peculiaridades de cada uma, e a importância de respeita-las, desenvolvendo a alteridade dos indivíduos desde crianças, sendo fundamental fiscalizações frequentes para garantir essas aplicações em todas as escolas. Ademais, o Ministério da Justiça junto com a CONARE  ( Comitê Nacional de Refugiados) devem garantir a aplicabilidade da lei e garantir o bem-estar dos estrangeiros. Dessa forma, junto com o fim da crise econômica, a xenofobia estará apenas no passado, longe da realidade de nossa nação.