A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 08/04/2019

Em seu livro Raízes do Brasil, Sergio Buarque de Holanda relata um aspecto peculiar do povo brasileiro - a cordialidade. Segundo o historiador “o homem cordial” é um sujeito que é movido pela emoção em detrimento do uso da razão, construindo relações sociais pautadas em laços afetivos ou interesses pessoais. No entanto, tal característica, nem sempre se manifesta no tratamento que é oferecido aos estrangeiros em nosso país, sobretudo, aos imigrantes haitianos e de origem africana, que mesmo possuindo algum diploma universitário dificilmente conseguem bons empregos. Dessa forma, evidencia-se que a xenofobia no Brasil está  atrelada ao racismo e ao aspecto sócio econômico do indivíduo .

A priori, é preciso destacar que o brasileiro durante muito tempo foi dependente do capital internacional, atribuindo um valor exacerbado a tudo que era proveniente de nações consideradas ricas. A partir do movimento antropofágico, em 1928, buscou-se repensar tal perspectiva, principalmente no campo cultural. Entretanto, o “complexo de vira - lata”, cunhado pelo escritor Nelson Rodrigues, ainda persiste. Dessarte, ao mesmo tempo que se sente inferior, o" homem cordial" também inferioriza, discriminando povos que se refugiam por estarem em situação de vulnerabilidade social, tendo por vezes  que enfrentar as dificuldades com o idioma e o racismo estrutural que ainda assola o país. Isso resulta no aumento dos empregos informais, em que imigrantes, por desconhecerem as leis locais e por necessitarem, são obrigados a trabalhar em condições insalubres e desumanas.

Outrossim, identifica-se como fator propulsor à prática da xenofobia ( aversão ao que é estrangeiro), o aumento das crises econômicas que assolam o Brasil. Concomitantemente a isso, o receio de perder o emprego ou até mesmo o status social faz alguns indivíduos revelarem o quão agressivo podem ser. Em decorrência disso, a violência se manifesta, como no caso do  Sírio, Mohamed Ali, comerciante que foi agredido por um homem por causa do ponto de venda. Um desrespeito aos Direitos  civis.

Logo, infere-se que, há urgência na elaboração de políticas públicas de auxílio à inserção dos imigrantes no país. É imprescindível que a ONU (Organização das Nações Unidas) em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos, promova campanhas que evoquem o respeito e a igualdade desses povos, por meio de projetos pedagógicos nas escolas, com o objetivo de acolher os refugiados e incentivar o conhecimento a aspectos culturais e religiosos de seus países de origem, por meio do acesso a livros, filmes e documentários. Aliado a isso, o Governo em parceria com empresas privadas , pode conceder isenções fiscais a empresas que contratarem imigrantes, em especial, oriundos de áreas carentes, valorizando  sua formação profissional e  integração no" território cordial" brasileiro.