A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 01/04/2019
O fim da bipolaridade mundial concretizar-se-ia, teoricamente, como uma era de integração social e econômica mundial, vista sob uma perspectiva livre de qualquer discriminação. Todavia, torna-se perceptível, hoje, que a Nova Ordem Mundial não foi capaz de dissolver a herança sociocultural do preconceito brasileiro -especialmente no quesito sociogeográfico-, o qual é uma das maiores problemáticas da atualidade no país.
Historicamente, o Brasil caracteriza-se pela extrema segregação e preconceito apesar da enorme miscigenação étnica. Tal fato pode ser explicado pelas raízes de preceitos discriminatórios na formação da cultura latino-americana de maneira ecumênica: a utilização de mão de obra escrava estrangeira (especialmente africana) foi essencial à formação da visão hierárquica baseada no eurocentrismo e nas teorias de superioridade racial, como o darwinismo social. Em compasso com a escravidão, a divisão do mundo capitalista moderno em desenvolvidos e subdesenvolvidos intensificou, também, a hierarquização populacional de acordo com sua origem geográfica. No entanto, a história mostra que muitas nações construíram suas identidades a partir da fusão com outras culturas e que o trabalho do imigrante foi fundamental para o desenvolvimento econômico de diversos países, estudo o qual se confronta com o discurso de ameaça ao emprego nacional e à identidade cultural disseminado por grupos anti-imigração atuantes na quase totalidade mundial.
Por conseguinte, os reflexos de uma sociedade formada culturalmente por preconceitos ideológicos são marcantes na realidade brasileira de forma a tornar corriqueiro o discurso de ódio. À semelhança dos acontecimentos marcantes ocorridos nos Estados Unidos e na Europa, como o “Brexit”, o Brasil não está livre de casos de intolerância aos imigrantes. Analistas apontam que a situação de crise, como a indefinição política, estagnação econômica e a crescente taxa de desemprego tendem a tornar a visão que as pessoas têm dos imigrantes ainda mais negativa. Apesar das diversas etnias que procuram o território brasileiro como refúgio, o número de venezuelanos que chegaram ao país é o mais expressivo dentre todos: estimam-se mais de 40.000. A expansão dos casos de intolerância cresceram proporcionalmente ao aumento do número de imigração, gerando desde casos de agressões físicas e verbais até discursos de cunho político discriminatórios.
Por conta dos argumentos supracitados, torna-se perceptível a necessidade de medidas que minimizem a problemática citada. O Ministério da Educação deve, primeiramente, preparar as escolas para que mostrem aos alunos a importância do respeito social e a dificuldade que os imigrantes passam ao sair de suas origens geográficas, devendo, aos nativos, repudiar qualquer discurso intolerante.