A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 01/04/2019

A obra Ética a Nicômaco, de Aristóteles, é caracterizada como uma ética que visa uma finalidade. Diante disso, imigrantes de diversos países vêm para o Brasil, país com fama de cordial com estrangeiros, na busca de novas oportunidades, objetivando encontrar um novo propósito de vida. Entretanto, pesquisas recentes mostram que a pátria brasileira não faz jus a esse prestígio, herdando  a característica da antiga sociedade grega em relação a outras nações.

Na Grécia Antiga, povos oriundos de outras regiões não eram considerados cidadãos, privando-lhes de direitos públicos. Esse conceito de exclusão está presente no cenário brasileiro e, de acordo com uma pesquisa divulgada em 2016 pela UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais-, constatou-se  que cerca de 60% de homens haitianos que vivem na região metropolitana de Belo Horizonte sofrem de xenofobia e outros tipos de preconceito.

Além disso, o programa Mais Médicos do governo federal foi utilizado para alavancar um exemplo de xenofobia, pois, em 2013, um grupo de médicos brasileiros organizaram um protesto em que se referiam aos profissionais cubanos como escravos. Esse acontecimento serve para demonstrar a contradição à fama da cordialidade tupiniquim, visto que os estrangeiros vêm ao Brasil na busca de uma nova finalidade para suas vidas, mas são restringidos pela sociedade canarinha.

Diante disso, torna-se um dever do Governo Federal, juntamente com o Ministério da Educação e a ACNUR - Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados-, gerar campanhas e palestras públicas nas escolas, onde os palestrantes sejam os próprios imigrantes, promovendo-lhes o direito da fala, que muitas vezes é precedido de algum tipo de preconceito, com o intuito de cada vez mais extinguir a xenofobia que está presente no cenário atual.