A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 02/04/2019

Na obra “O corcunda de Notre Dame”, o protagonista, por possuir uma deficiência física, é segregado da interação civil. De maneira análoga, fora da ficção, tal quadro de exclusão faz-se uma realidade no Brasil hodierno, uma vez que, mesmo sendo uma nação miscigenada, a xenofobia é presente. Com isso, fica claro o impasse, seja pela insuficiência estatal, seja pela mentalidade cívica.

Decerto, o país possui grandes problemáticas. Nesse ínterim, a questão do comportamento xenófobo mostra-se latente, haja vista o contingente de casos ocorridos, a exemplo do haitiano que foi humilhado enquanto trabalhava como frentista em Porto Alegre. Assim, observa-se o rompimento das gestões públicas com a lógica de Thomas Hobbes, a qual defende o Estado, por meio do contrato social, como o responsável pela harmonia coletiva, pois, apesar do conflito, há a carência de políticas efetivas.

Outrossim, vale ressaltar a óptica civil como notória impulsionadora do problema. Nesse contexto, John Locke, na teoria da tábula rasa, pontua o imperativo do âmbito externo na construção comportamental do cidadão neste inserido. Seguindo isso, nota-se que a xenofobia é fortalecida pela visão populacional, a qual é intolerante e preconceituosa, porque, graças à vivência, os cidadãos tendem a reproduzir os elementos do seu cerne. Desse modo, um ambiente antidemocrático é sustentado.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas que revertam a situação. Nesse caso, cabe às prefeituras a criação de um pacote de ações que aglutine o acompanhamento do migrante, a introdução no coletivo brasileiro e peças publicitárias acerca da xenofobia, a fim de atenuar o atual cenário. Ademais, compete às associações comunitárias, aliadas às famílias e escolas, a elaboração de projetos lúdicos, como amostras fotográficas, contra o preconceito e a intolerância, para desconstruir a ordem vigente. Destarte, a segregação abordada em “O corcunda de Notre Dame” não será uma realidade no Brasil.