A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 02/04/2019

Civilização harmônica

Na Grécia antiga, apenas as pessoas nascidas nas cidades-estado gregas eram consideradas cidadãs e possuíam direitos. Qualquer povo que não falasse o grego era considerado inculto, primitivo e incivilizado. Assim, a execrável xenofobia revela suas raízes na Globalização e, ainda, sofre com os frutos que dela brotam - uma barbárie, incoerentemente, (oni) presente.

No que se refere à evolução da tecnologia, torna-se notório que invadiu a vida das pessoas, proporcionando avanços nos meios de transporte e intensificando os movimentos migratórios. Neste cenário de economia globalizada, na qual há livre circulação de capital, produtos e serviços, seria natural pensar que as migrações fossem favorecidas. Contudo,  a integração desses contingentes não simboliza tranquilidade constantemente, visto que os imigrantes sentem-se marginalizados por viver nas periferias das grandes cidades e com acesso restrito ao mercado de trabalho. Além do estranhamento dos “nativos” em relação aos hábitos culturais ou costumes religiosos diferentes, recrudesce o acirramento de sentimentos xenófobos, de modo que terminam em violência.

Sob esse prisma, o Brasil destaca-se no refúgio para imigrantes de outras nacionalidades, como haitianos, cubanos e principalmente venezuelanos. Nesse sentido, com o agravamento da crise econômica, política e social, o número de venezuelanos em solo brasileiro, segundo a Conare (Comitê Nacional para Refugiado), representa cerca de 40 mil pessoas - incluindo os que entram ilegalmente. Esta situação reflete nas condições de vivências, já que, muitos residem na rua ou em abrigos provisórios, onde ficam mais expostos a manifestação de xenofobia. Por fim, nota-se que o Brasil simboliza caráter seletivo relacionado a países desenvolvidos, valorizados por sua cultura, em detrimento de países que encontram-se em desenvolvimento.

Infere-se, pois, que a nociva xenofobia conclama políticas públicas ativas. Dessa forma, o Governo Federal deve aplicar efetivamente a Lei de Migração, através da disponibilização de recursos para os serviços públicos de saúde e educação, para que os imigrantes tenham seus direitos garantidos. E, a Conare, necessita realizar campanhas midiáticas, para que a população desenvolva comportamento altruísta, além de ratificar o progresso econômico do país no futuro. Logo, a harmonia florescerá nessa civilização.