A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 07/04/2019

“O ser humano não teria alcançado a xenofobia se, repetidas vezes, não tivesse tentado se preocupar com o estrangeiro invadir e modificar as estruturas sociais, culturais e políticas do país”. Com essas palavras, Max Weber, sociólogo alemão, afirma que o sentimento xenofóbico, mas, também, posteriormente à quebra de paradigmas, é necessária a insistência, por parte de um grupo social, na tentativa da sociedade observar, por outro ângulo, os benefícios de tolerar e não se preocupar com as diferenças sociais, culturais e políticas dos estrangeiros pelos integrantes dessa mesma sociedade.

Primeiramente, o dever de tolerar a livre circulação dos estrangeiros no país, de modo que impossibilite o sentimento xenofóbico se perpetuar na sociedade brasileira, está assegurado não só pelos Direitos Humanos, como também pela Constituição do Brasil. Além disso, os pilares de uma república são deixados de lado a partir do momento em que os refugiados são vítimas do sentimento xenofóbico ainda presente no país, abrindo oportunidades para que a sociedade se torne, cada vez mais, excludente haja vista que, segundo a Revista Carta Capital, os refugiados representam cerca de 42,25% dos alvos de xenofobia no país.

Paradoxalmente, o Brasil, que é um país visto como acolhedor pelos demais países, está inserido em uma dicotomia: ao mesmo tempo em que é reconhecido mundialmente por suas políticas de inclusão social, deixa a desejar no que se refere à tolerância, mas também à livre circulação dos estrangeiros em território brasileiro tendo em vista que, segundo a Secretaria Especial de Direitos Humanos, o número de denúncias de xenofobia aumentou cerca de 633% nos últimos seis anos devido ao acréscimo intrínseco de brasileiros preocupados com as possíveis modificações na sociedade pela entrada de pessoas estrangeiras no Brasil.

A xenofobia, portanto, deve ser combatida com a iniciativa do Ministério da Educação em parceria com as escolas municipais e psicólogos de realizarem a implementação de projetos psicopedagógicos, por meio de palestras, além da propagação de folhetins relacionados ao assunto, para que possa haver um trabalho de transformação na mentalidade, tanto do corpo docente e discente quanto de toda população dos municípios, em relação à tolerância e à compreensão dos costumes sociais, culturais e políticos de pessoas estrangeiras, sendo que aqueles projetos seriam reimplementados anualmente, de modo que eles se tornem uma prática cotidiana nas escolas brasileiras.