A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 02/04/2019

“Não sou nem ateniense, nem grego, mas sim um cidadão do mundo”. O filósofo Sócrates já afirmava que para ele não existia separação ou aversão aos indivíduos pelo país de origem, prática posteriormente denominada de Xenofobia. No entanto, percebe-se que o pensamento do filósofo não está presente em grande parte da população brasileira, uma vez que a intolerância, a revolta e a violência contra estrangeiros marca o cenário atual do país. Dessa forma, nota-se a necessidade de mudanças acerca dessa problemática.

De início, vale ressaltar que o aumento do número de imigrantes torna cada vez mais agravante os casos de Xenofobia no Brasil. Conforme explicitado no site de notícias G1, o número de imigrantes cresceu cerca de 80% em dez anos no país, e tal índice deve-se não só pelo desejo dos estrangeiros de morarem no Brasil, mas principalmente pelas péssimas condições de seu país de origem como a alta taxa de desemprego, a baixa qualidade de vida e o contínuo estado de guerra, como é o caso da Síria, e mesmo apesar desses motivos, parte da população brasileira recebe esse grupo com desrespeito, revolta, medo e violêcia, que em casos mais extremos resulta em morte. Com isso, fica claro que há a necessidade de uma melhor política de proteção aos imigrantes estrangeiros.

Ademais, é importante salientar que a Xenofobia traz como consequência a Segregação Socioespacial, fenômeno que tem sido combatido pelo país desde o Período Colonial. Por possuírem pouco reconhecimento, muitos imigrantes e refugiados não conseguem moradia e muito menos emprego formal, o que os leva a procurar subempregos, com pouca remuneração, muitos deles análogos à escravidão, fazendo com que os índices de fome e pobreza no país aumentem cada vez mais. Por isso, é preciso que a população brasileira repense acerca da intolerância e o governo aumente suas práticas de combate a esse problema.

Portanto, fica claro que mudanças são indispensáveis a fim de diminuir a questão da Xenofobia no Brasil. Segundo o escritor Victor Hugo, a tolerância é a melhor das religiões, logo, é preciso que o Poder Legislativo, principal órgão criador de leis, aprimore as legislações vigentes que criminalizam a Xenofobia e invista, por meio de doações e campanhas, na construção de abrigos e na elaboração de cursos técnicos para os imigrantes, de modo que eles tornem-se aptos ao mercado de trabalho e consequentemente contribuam para a economia do país. Com essas ideias, que não excluem outras, o Brasil poderá ser um exemplo da afirmação do filósofo Sócrates.