A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 06/04/2019

Na conjuntura contemporânea é inegável a obsessão por verdades absolutas que impedem os indivíduos de conviverem com as diferenças culturais.Essa xenofobia resulta em uma pretensa superioridade capaz de causar exclusão. Isso ocorre devido a maneira que o indivíduo trata o diferente, segrega, e, também como são suas relações sociais, realizadas pela cordialidade.

Em primeiro plano, é importante enfatizar que o brasileiro segrega aquilo que é diferente. Embora o Brasil seja um país de cultura diversificada a xenofobia é um tema frequente - não somente com os estrangeiros, mas entre regiões do próprio Brasil - e, essa noção de superioridade já levou até a um movimento separatista “Sul é meu País”. Desse modo, é possível fazer um paralelo com o pensamento do filósofo Michel Foucault em sua obra “História da loucura” ao relacionar a segregação dos considerados loucos, por serem diferentes, com a atual segregação do indivíduo de cultura diferente. Com efeito, a xenofobia pode ser manifestada de várias maneiras - piadas, agressões físicas, exclusão entre outros -  com o objetivo de inferiorizar o outro.

Concomitantemente a isso, deve-se reconhecer a cordialidade do brasileiro. Nesse sentido, mesmo que a xenofobia seja crime - lei 9.459 - o homem cordial valoriza mais o emocional que o racional. Dessa maneira, cabe reconhecer que o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda tem razão ao discutir em seu livro “Raízes do Brasil” que o homem cordial - como denomina o brasileiro - é maniqueísta agindo no âmbito da flexibilidade ou da rigidez de acordo com quem ele está tratando. Nessa perspectiva, é possível aplicar as ideias do sociólogo para a relação do brasileiro e o forasteiro, agindo com flexibilidade com pessoas de sua cultura e com rigidez com o forasteiro.

Urge, portanto, a necessidade de mudança de comportamento do brasileiro. Sendo assim, cabe ao indivíduo conhecer seus direitos e deveres cidadãos através da leitura da Constituição Federal na perspectiva de assumir sua postura cidadã, respeitando o próximo, para que dessa maneira possa reverter a situação da xenofobia no Brasil. Destarte, a sociedade brasileira passaria a, de fato, viver o legado da equidade e isonomia assegurados na Constituição Federal.