A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 08/04/2019

Osvaldo Aranha, importante diplomata brasileiro, foi um dos grandes responsáveis pela formação do Estado de Israel, auxiliando o povo mais marcado pela xenofobia, os judeus. Assim, como nesse caso, o Brasil sempre foi visto como um país conciliador e receptivo, porém com as crises venezuelana, haitiana e síria, e seus movimentos migratórios, tem sido exposto o lado xenófobo do brasileiro, que por não reconhecer as extremas dificuldades sofridas por esses povos e a realidade do seu próprio país, vêm fazendo ataques a aqueles que deveriam ser acolhidos.

De acordo com a primeira lei de Newton, o princípio da inércia, a tendência dos corpos é manter o seu estado natural. Na mesma lógica, a tendência das pessoas não é imigrar, pois se na física o peso se opõe ao movimento, na decisão de migrar a cultura, língua, família e amigos, atuam como essa resistência, os mantendo no lugar. Sendo assim, é necessária uma grande  força propulsora - como a fome, guerra, perseguição, falta de oportunidade -  para fazer essas pessoas largarem suas terras e migrar.

Contudo, os brasileiros aparentam um grande desconhecimento da realidade do imigrante. Segundo a pesquisa “Perigos da Percepção” do instituto Ipsos, divulgada em 2018, o brasileiro supõe que o seu país tenha 30% de sua população formada por pessoas que nasceram em outra nação, embora a realidade demonstre um número de apenas 0,4% dos habitantes. Dessa forma, tal dado reflete uma grande ilusão da população e que tem o potencial de se converter em xenofobia, colocando essa mínima parcela da população como bode expiatório para grandes problemas recentes, à exemplo da falta de emprego.

Com o intuito de sanar essa problemática, o IBGE em conjunto com o MEC deve promover palestras nas escolas e universidades, de modo a divulgar dados estatísticos sobre a realidade do país e debater de maneira crítica sobre esses, a fim de promover a quebra de preconceitos e bodes expiatórios, resultados da xenofobia. Dessa forma, espera-se que o Brasil possa voltar a ser um exemplo da imagem que Aranha ajudou a promover.