A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 06/04/2019

Conforme afirmou Professor Xavier em “X-Men 2”, “Compartilhar o mundo nunca foi o atributo mais nobre da humanidade". Apesar de tal afirmação se passar em uma obra fictícia, é indubitável a semelhança com a atual realidade brasileira, na qual atitudes desumanas e ignorantes acentuam atos xenofóbicos. Essa problemática é estimulada em razão da insuficiente aplicabilidade da legislação, além da grave falha educacional brasileira.

Em primeira análise, vê-se que a falta de proteção aos casos de xenofobia colabora para que tais ações sejam perpetuadas na sociedade. Segundo pesquisas do R7, grande parte das vítimas não sabem como fazer a denúncia e algumas vezes são orientadas em não realizá-las, a fim de evitar transtornos com as autoridades. Um exemplo disso, é o caso de um senegalês que foi agredido pela polícia por ter sentado em um assento preferencial pelo fato de não entender português, e, apesar da atitude dos policiais, os boletins de ocorrência não incluíram a denúncia de xenofobia.

Além disso, a problemática encontra terra fértil na falta de instrução e alicerces que abordem sobre a xenofobia. Segundo o raciocínio de Paulo Freire, a educação é o principal meio de mudança social de mundo, portanto, faz-se evidente a necessidade de conhecimento acerca do assunto. Tal pensamento aliado ao de Goethe, de que “Nada no mundo é mais assustador que a ignorância em ação”, observa-se que essa carência pedagógica semeia a perpetuação da xenofobia no Brasil.

Diante disso, é necessário que os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário exerçam corretamente, em conjunto, as medidas previstas na legislação contra a xenofobia, através de uma maior fiscalização e orientação das denúncias, antecipando-as da melhor forma para por fim, aplicar as punições justas e necessárias contra a xenofobia. Cabe também ao Ministério Público e da Educação promoverem aulas e palestras por meio de professores e especialistas no assunto, que ensinem as crianças e adolescentes a respeitarem os seres humanos, seja qual for a cultura, crença ou raça, pois, como consta Hannah Arendt “a pluralidade é a lei da Terra”.