A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 08/04/2019
O estranhamento em relação à diferenças é um fato recorrente. O problema é quando esse estranhamento se torna aversão e se dissemina como prática social, gerando uma série de efeitos como exclusão, intolerância e a violência física e psicológica contra pessoas ou grupos. Essa desconfiança em relação ao outro, ao estrangeiro, a diversidade cultural e religiosa não é um fenômeno novo. Só para exemplificar, os nazistas perseguiram e dizimaram milhares de judeus e outras minorias em territórios sob seus domínios. O termo que se refere esse fenômeno é conhecido como xenofobia, e essa vem crescendo cada vez mais no Brasil principalmente devido a dois motivos: a falta de informação por parte do xenófobo e o medo dos muçulmanos, que são associados ao terrorismo. O Brasil possui fama de ser um país receptivo, com um povo bondoso e cordial. Porém, inúmeros casos de aversão à estrangeiros – principalmente refugiados haitianos e muçulmanos – vêm sendo registrados todos os dias. Entre 2014 e 2015, os casos aumentaram 633%, pulando de 45 para 333 registros recebidos pela Secretaria Especial de Direitos Humanos. Estes registros são alarmantes, principalmente quando é observado que quase não há registros de denúncias que prosseguiram ou de xenófobos punidos pela justiça. Muitas vezes a falta de informação associada ao medo do terrorismo faz com que os casos de xenofobia e intolerância contra imigrantes se tornem cada vez mais frequentes e preocupantes. A prática conhecida como islâmofobia não é nova, e desde os atentados de 11 de setembro de 2001 não só o Brasil, mas o mundo todo, adquiriu um imensurável medo e preconceito em relação ao islã e seus seguidores. Fato é que pessoas de origem árabe ou religião muçulmana representam 15,45% das vítimas de xenofobia no Brasil segundo dados da Secretaria Especial de Direitos Humanos obtidos em 2015. Portanto, de forma a combater essa conduta, é necessário que o Ministério da Justiça enrijeça as punições a quem for xenofóbico e conceda a devida orientação acerca do procedimento a ser seguido pelos refugiados durante o processo. Para tanto, é imprescindível uma atuação mais sólida do CONARE (Comitê Nacional de Refugiados), no que concerne ao auxílio e assistência dada aos refugiados, a fim de torná-los aptos a defenderem seus direitos. Só assim, será possível construir um país, no qual a alteridade e o respeito prevaleçam sob qualquer forma de preconceito.