A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 08/04/2019
A segunda década do século XXI trouxe à tona, novamente, o dilema dos processos migratórios que se intensificaram entre países situados à volta do Mar Mediterrâneo. Entre os principais temas que foram alvo de debates e críticas está a questão da aversão ao estrangeiro, assunto que de cara parece não ter relação alguma com o Brasil, pois o mesmo ganhou fama mundial de país acolhedor. No entanto, apesar dessa reputação, chegada a ocasião, mais uma vez o medo e a generalização, dessa vez em relação aos venezuelanos, provaram o contrário do mito.
Como é sabido, histericamente a população brasileira foi sendo formado pelo ingresso de vários povos, de etnias e culturas diferentes, que aqui chegaram justamente na condição de imigrantes. Esse fato contribuiu para a formação de um país miscigenado e cosmopolita, que entre outros fatores contribuiu para a construção de uma imagem acolhedora pelos brasileiros e pelo restante do mundo. No entanto, devido ao medo da competição por empregos, vagas de ensino público e em hospitais, recentemente, atos tipicamente xenofóbicos praticados por brasileiros convidou a todos a refletir sobre o assunto. De fato, quando a ONU se diz preocupada com a violência praticada contra imigrantes venezuelanos no estado de Roraima e, solicita maior apoio aos mesmos, é evidente que a xenofobia não está dissociada nesse momento da relação entre brasileiros e venezuelanos.
Além disso, outro fator que contribui para construção de um sentimento xenofóbico é a generalização. Logo após os atentados de 11 de Setembro, e outros subsequentes, em sua maioria praticados por grupos extremistas que pregão uma visão deturpada do islã, religião da maioria dos muçulmanos, tornou-se comum, por parte de pessoas desavisadas, a noção de que todo muçulmano e/ou islâmico é terrorista. Essa visão generalizadora também paira sobre muitos brasileiros, utilizada inclusive para encobrir os medos da competição em território nacional. Em verdade, não raramente foi noticiado nos jornais o desrespeito e a agressão contra imigrantes, como no caso do sírio que vendia esfirras e doces em Copacabana. Isso também se repete com frequência em relação as venezuelanos, aos quais são pesados a acusação de promoverem a crise econômica e sanitária em Roraima, o que não é verdade, pois como aponta pesquisa da FGV DAPP, a maioria dos imigrantes venezuelanos tem nível de escolaridade superior à média local, o que pode incrementar a economia e a sociedade da região.
Dessa forma, é preciso promover a conscientização dos brasileiros a respeito dos refugiados, isso se dá de forma eficiente quando as escolas e universidades, com professores de geografia e história, realizem palestras e seminários com esse fim. É preciso também que os governos estadual e federal criem políticas publicísticas com posição mediadora para inserir os imigrantes na sociedade.