A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 07/04/2019

À semelhança do filme “Gangues de Nova York”, que retrata de maneira efusiva as desavenças entre os diferentes povos que imigraram para aquela idade, o Brasil também demonstra caminhar em direção ao problema da xenofobia, mesmo tendo sido considerado, até então, como o país da multiculturalidade e miscigenação. Aqui, os casos de agressão verbal ou física, vítimas de comportamento xenofóbico, cresceram alarmantemente nos últimos anos e, portanto, necessitam ser estudados para que uma solução seja proposta urgentemente.

Antes de tudo, cabe destacar que a xenofobia é uma mazela histórica na humanidade. Desde a época das pólis Gregas até hoje, as inúmeras guerras travadas evidenciam uma mentalidade do ser humano propensa a encarar o estrangeiro como uma ameaça aos residentes locais e que, portanto, deveria ser combatido pelos mesmos. Contudo, com a evolução do pensamento do Homem em direção a um mundo cada vez mais globalizado, é ilógico que essas formas racistas de convívio social ainda persistam. Parte de tal incoerência pode ser explicada, atualmente, pela cise do medo, do terrorismo que assola o mundo, particularmente desde a queda das Torres Gêmeas em 2001, marco histórico que colocou os EUA e grande parte da Europa em declarada “guerra ao terror”. Como efeito colateral, em todo globo, desde então, intensificou-se o racismo, a hostilidade e a discriminação contra os estrangeiros, injustiças essas que permanecem impunes em sua maioria.

Ademais, contradizendo a imagem de país aberto e receptivo às outras nações, no Brasil o crime de xenofobia tem crescido assustadoramente, ao ponto de, entre os anos de 2014 e 2015, aumentar em 633%, conforme dados do site Carta Capital. Enquanto os principais alvos são os refugiados, como por exemplo os advindos das crises humanitárias na Síria e na Venezuela, o governo pouco está fazendo para manter a dignidade desses povos. Em Porto Velho (RO), onde foi montada a primeira base de apoio aos imigrantes venezuelanos, pouco tempo depois, os meios de comunicação em massa já relatavam conflitos com mortes por causa da xenofobia.

Frente a esses dados, que refletem o Brasil em crise humanitária como nunca visto antes, faz-se necessária uma intervenção que mitigue o crime de xenofobia. Dessa forma, cabe ao Ministério da Integração Nacional fomentar parcerias com ONG’s de forma a mobilizar o imigrante para locais em que ele possa ter o direito a livre religião, costumes e oportunidades de trabalho. ONG’s religiosas ou humanitárias poderiam participar e, com a ajuda desse Ministério, promover total integração do indivíduo na sociedade, pois é somente dessa forma que as diferenças étnicas, raciais ou de procedência nacional serão minoradas e, por conseguinte, exaurida a xenofobia.