A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 08/04/2019

O Brasil tem no nome a cor do “Pau de Brasa”, contudo, é mesma do sangue dos índios que tombaram sob suas toras ou dos negros do navio de Castro Alves. Mas os ilustres colonizadores, de sangue azul, preferiram homenagear o que aqui havia de melhor e mais lucrativo, o Pau Brasil, em detrimento do seu povo.  O que evidencia tanto a existência de uma cultura de preconceito quando a falta de interesse em mudar essa realidade. Justificando o aumento no número de casos de xenofobia.

Em primeiro lugar, no que tange ao preconceito, esse é um preocupante problema em nosso país, mas tentamos escondê-lo sob o véu da cordialidade. Assim é feito com o uso de palavras como “mulato”, a qual tem origem na palavra mula e é um termo pejorativo usado em nosso cotidiano. Assim, quanto mais procrastinarmos a autodeclaração como sociedade preconceituosa, mais longe estaremos de diminuir os índices de crimes de segregação.

Já quanto a ausência de vontade do Estado em sanar tal problema, essa fica evidente quando analisamos o tempo que o governo levou para criar leis contra esses crimes. Pois, mesmo com séculos de luta conta a escravidão e a abolição burocraticamente sancionada em 1888, a criminalização de atos preconceituosos demorou mais de cem anos após assinada a Lei Áurea. Atraso que, junto com a já conhecida morosidade na resolução dos processos pelo nosso sistema judiciário, deixa as vítimas cada vez mais sem esperança.

Sendo assim, visto a falta de empenho do Estado em resolver problemas relacionados à xenofobia, ações por parte dos indivíduos podem ser decisivas. Pois, para Max Weber, a sociedade se faz do somatório das ações individuais. Deste modo, a pratica diária de alteridade e empatia por parte dos cidadãos somadas a criação de canais em redes sociais da internet, com o intuito de divulgar essas atitudes e repudiar, denunciar, discutir e conscientizar sobre essa lástima social, podem criar uma cadeia de respeito que transforme nossa realidade.