A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 08/05/2019

Com a eleição do atual presidente estadunidense Donald Trump, em 2016, estruturou-se a proposta de construir um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México. Esse projeto, assim, gerou o debate sobre a questão da xenofobia - aversão a pessoas estrangeiras -, especialmente no Brasil, país o qual recebe um grande número de turistas e refugiados de países vizinhos, além da vasta diferença cultural do país. Com isso, é necessário que esse preconceito seja combatido, tanto por ferir uma questão humana, como por causar um retrocesso social.

Em relação ao primeiro viés, cabe destacar que a xenofobia fere a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH). Segundo a DUDH, artigo II: todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de origem nacional ou social. Porém, a realidade brasileira não está em acordo com esse aspecto da Declaração, como aponta o jornal “O Globo”: denúncias de xenofobia crescem mais de 600% no país em 2015. Portanto, o preconceito contra pessoas de outras regiões precisa ser extinto por ir de encontro aos princípios que validam a individualidade como liberdade.

Já quanto ao segundo aspecto, é relevante mencionar que essa intolerância interfere diretamente com o avanço da sociedade. Para elucidar essa ideia, é válido recorrer ao que diz o filósofo Thomas Hobbes em seu livro “O Leviatã”. Consoante o autor, o medo é uma opinião baseada em algo que pode lhe trazer dano. Conclui-se dessa ideia, então, que essa descriminação com princípios “nacionalista” é formada a partir do momento em que o indivíduo enxerga o imigrante como alguém que lhe trará danos econômicos e até culturais. No entanto, o levantamento de dados realizado pela Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (PNAD) revelou que nordestinos que migram para São Paulo, em sua maioria, têm uma alta escolaridade e uma renda mais elevada, e vão como grandes investidores e gerentes de empresas. Logo, desmitifica-se o pressuposto que nordestinos vão para o sudeste em busca de oportunidades de emprego. Sendo assim, enquanto houver essa mentalidade retrógrada na sociedade ela não conseguirá se desenvolver e avançar.

Em suma, é urgente pensar em uma forma de enfrentar a problemática. Para isso, as escolas devem estimular um ensino abordado as diferenças regionais presentes no mundo. Isso pode ser feito por meio de aulas e atividades da escola: aulas inclusivas que estudem as características de vários povos e suas culturas e costumes, ou ainda, dinâmicas interativas para vivenciar e experimentar na prática as realidades de outra população. Essas ações, consequentemente, têm a finalidade de diminuir a xenofobia na sociedade,além de criar uma população mais receptiva e informada sobre outras culturas.