A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 20/08/2019
Nos últimos anos o fluxo de refugiados atingiu números que eram inéditos desde a segunda guerra mundial, e por conseguinte houve aumento exponencial do número de crimes de ódio contra imigrantes. Africanos e muçulmanos, no Brasil, são os principais alvos da xenofobia, um braço específico de crimes como racismo e intolerância religiosa, fortalecidos pela vulnerabilidade do estrangeiro.
Como primeiro ponto pilar, é essencial destacar os grupos de etnia africana como alvos frequentes dos crimes de ódio no Brasil. A herança escravista, manifestada na superioridade do homem branco ainda viva no imaginário popular, é a principal causa da xenofobia contra os grupos nigerianos, haitianos, angolanos, entre outros.
Outrossim, todos os imigrantes sofrem com a impunidade no Brasil. Por mais que haja um crescimento de cerca de 600% nas denúncias, segundo a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, nem 1% dos casos gerais de xenofobia chegam até a justiça. Apátridas, refugiados e imigrantes de países pobres não possuem países capazes de reclamar os direitos humanos contra sua população, e assim, a persistência da impunidade alimenta a máquina da xenofobia.
Como segundo ponto pilar, a intolerância religiosa contra os grupos islâmicos deve ser analisada. A desvalorização das ciências humanas leva ao desconhecimento da população sobre a diferença entre extremismos e a religião de fato. É comum que se confunda o conceito de xiita e terrorista, por exemplo. Católicos, politeístas, muçulmanos, todos já tiveram períodos de extremismo, fato que não justifica homogenizar esses grupos nesse esteriótipo.
A xenofobia, portanto, pode ser colocada como fruto dos problemas estruturais do nosso país. Para fazer valer o relatório de refugiados de 1951 da ONU, é necessário que o governo, por meio do Ministério da Edução, invista em educação e realize uma reforma do Ensino médio, valorizando o profissional, e as ciências humanas.