A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 01/07/2019

Na primeira metade do século XX, o Brasil recebeu uma grande onda de imigrantes advindos da Europa que buscavam, principalmente, fugir da miséria e da guerra pela qual passava o velho continente naquele período. Nesse contexto, tais sujeitos contribuíam para o projeto ‘’embranquecedor’’ da nação, bem como, eram vistos como pessoas com potencial para alavancar o país. Nessa conjuntura, ao traçar um paralelo com a atualidade, percebe-se que os imigrantes encontram hoje, no país, um cenário diferente e repleto de desafios, entre eles, a problemática da xenofobia. Assim, é necessário o debate acerca das causas e possível solução para essa questão. Desse modo, é lícito afirmar que a xenofobia no Brasil ocorre, ora em decorrência de falhas educacionais escolares, ora pela conduta preconceituosa transmitida pelo núcleo familiar.

Em primeiro lugar, evidencia-se, por parte da escola, a ausência de uma grade curricular humanista, que vá além do tradicional e engessado modelo de ensino. Essa lógica é demonstrada pela falta de disciplinas e ações que abordem direitos humanos, cidadania, etc. Desse modo, ao passo que a escola limita-se a ensinar apenas o que é necessário para passar de ano - como português e matemática - os alunos perdem a oportunidade de ter acesso a uma educação transformadora, que abra suas mentes para os perigos da xenofobia. Com isso, a xenofobia acaba por ser jogada para ‘‘debaixo do tapete’’ no universo escolar. Logo, é substancial a mudança desse quadro, que não considera válido trazer à sala de aula assuntos dessa natureza.

Outrossim, a postura de parte das famílias também é um ponto a ser levado em conta, no que concerne à transmissão de preconceitos enraizados, que acabam por endossar e até mesmo incentivar atitudes xenofóbicas, seja contra imigrantes, seja contra pessoas de determinadas regiões do Brasil. Sob esse aspecto, John Locke, filósofo inglês, diz: ‘‘O ser humano é uma tela em branco preenchida por experiências e influências’’. Nesse âmbito, entende-se que se o indivíduo é exposto a um ambiente preconceituoso, certamente desenvolverá uma personalidade de prejulgamento. Nota-se, assim, a necessidade de mudança do pensamento dos integrantes dos núcleos familiares.

Infere-se, portanto, que escola e família devem trabalhar para criar uma cultura anti-xenofobia no país. Posto isso, o Ministério da Educação (MEC) deve, por meio da inserção de disciplinas sobre fluxos migratórios no currículo do ensino médio, determinar a realização de aulas e seminários sobre imigração contemporânea nas escolas públicas e privadas. Essa ação deve visar, principalmente, a formação de uma consciência cidadã. Ademais, as escolas - mediante palestras aos responsáveis - devem orientar a família a debater os perigos da xenofobia nos lares.