A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 03/07/2019
Em “Território Restrito”, o protagonista Max Brogan é um agente de imigração, durante a trama ele acompanha as dificuldades daqueles que tentam atravessar a fronteira dos Estados Unidos em busca de uma vida melhor e vê de perto as terríveis consequências da xenofobia. Embora seja uma obra ficcional, o filme apresenta características que se assemelham no contexto atual brasileiro, tendo em vista que esse crime cresce de forma desenfreada. Indubitavelmente, isso é resultado da falta de educação social e do descaso governamental na contenção desse obstáculo. Destarte, faz-se pertinente debater acerca dessa problemática.
A priori, é preciso destacar que, de acordo com Helen Keller, o resultado mais sublime da educação é a tolerância. Sob essa ótica, é fundamental que no âmbito escolar e familiar, as crianças sejam ensinadas sobre todos os princípios éticos e morais, como o respeito e o amor ao próximo, e também sejam ensinadas sobre a importância das diferenças na convivência em sociedade. Porém, muitas vezes isso não ocorre, levando as pessoas a terem uma grave falha de conduta e praticarem a xenofobia. Desse modo, verifica-se, que a falta de conhecimento e empatia sobre o assunto supracitado influência como fator propulsor da mazela em questão.
Outrossim, vale salientar que segundo Bismark, a política é a arte do possível. Com base nessa afirmação, de forma análoga, pode-se afirmar que é papel do governo criar políticas públicas inclusivas para os imigrantes, entretanto, muitas vezes ele a negligencia. Além disso, de acordo com a ONU, a cada minuto de 2015, 24 pessoas precisaram fugir, desse modo, falta meios para alcançar e dar a devida atenção a essa grande parte da população. Sendo assim, intuí-se que o quadro atual não provém apenas pelos estigmas relacionados ao tema, mas principalmente pela ausência de programas eficazes e redes acolhedoras para esses indivíduos.
Diante desse panorama, faz-se imprescindível a tomada de medidas ao entrave abordado. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação abordar esses temas nas aulas de Filosofia e Sociologia, por meio de rodas de debate, palestras e jogos, a fim de quebrar os esteriótipos e tabus sobre os estrangeiros. Ademais, é mister que o Governo juntamente com o Ministério da Saúde, crie centros de acolhimento nas cidades que mais recebem imigrantes, e que neles os profissionais sejam treinados para reconhecer os sinais básicos de quem está sofrendo com a xenofobia para fornecer o suporte psicológico necessário, com o intuito de romper com o silenciamento das vítimas. Espera-se com isso que a distopia de “Território Restrito” se restrinja a ficção.