A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 03/08/2019
Em setembro de 2001, ocorreu o maior atentado terrorista da história: o grupo Al-Qaeda atacou várias cidades dos Estados Unidos, maior potência mundial, mediante a utilização de aviões civis. Como consequência, vários países adotaram medidas de segurança nacional e, ainda, houve o fortalecimento da xenofobia, em que os estrangeiros, principalmente os muçulmanos, foram vistos como uma ameaça. Nesse contexto, é tácito que, no Brasil, essa aversão ao estrangeiro também acontece, pois existe o medo de desnacionalização e crise econômica.
Em primeira instância, vale salientar que a preocupação com a perda da identidade nacional é um fator para a xenofobia. À vista disso, o Manifesto Antropofágico, surgido durante o modernismo e liderado por Oswald de Andrade, caracterizou-se por assimilar as principais características das culturas alheias, a fim de produzir uma nacional. No entanto, no cenário atual, o que ocorre se difere disso por haver uma repulsa dos hábitos, práticas e costumes do estrangeiro, em decorrência do medo de desnacionalização. Por esse motivo, os refugiados sofrem, no Brasil, com o preconceito, na medida em que são alvos, em razão de sua religião e crença, de comentários ofensivos e violência física.
Outrossim, o temor do estabelecimento de uma crise econômica também representa uma causa para a xenofobia. Sob tal ótica, Roberto Damatta, antropólogo brasileiro, em seu livro “A Casa e a Rua”, diz que os indivíduos valorizam o sentimento em detrimento da razão na “casa”, isto é, no ambiente privado, enquanto que na “rua”, âmbito público, precisam seguir certas regras de convívio. Contudo, hodiernamente, verifica-se a transgressão da fronteira que separa esses dois comportamentos, o que acarreta a falta de racionalidade e, assim, a visão distorcida dos motivos que levaram os refugiados a saírem dos seus países de origem. Nessa direção, a população pressupõe que eles irão impulsionar a competitividade do mercado de trabalho, implicando uma crise econômica. Porém, por não possuírem, na maioria das vezes, educação de qualidade, quem fica desempregado são os próprios estrangeiros.
Fica claro, portanto, a importância de medidas para do combate à xenofobia no Brasil. Destarte, a mídia deve difundir as características da cultura dos estrangeiros que habitam o país. Para isso, ela poderia, por intermédio dos jornais de televisão, realizar reportagens que mostrem, de forma realista, os hábitos, práticas e costumes dos refugiados, a fim de possibilitar aos brasileiros uma visão empática desses indivíduos, o que desconstruiria o medo de desnacionalização e crise econômica. Ademais, o governo deve iniciar programas de integração desses estrangeiros, com o objetivo de inseri-los no mercado de trabalho. Por conseguinte, diferente do que aconteceu após o atentato terrorista de 2001, haveria o enfraquecimento da xenofobia.